Na última semana, muitos usuários foram surpreendidos por uma ligação de um número desconhecido. A voz que atendeu era de um agente de inteligência artificial desenvolvido pela Meta, responsável por facilitar tarefas cotidianas. O aplicativo, chamado Muse, promete revolucionar a forma como interagimos com serviços e rotinas diárias, realizando atividades como fazer ligações, preencher formulários e até realizar compras em nome do usuário.
O Muse, que se apresenta como o primeiro agente de IA voltado ao consumidor de uma grande empresa de tecnologia, já está disponível nos Estados Unidos, embora ainda não tenha chegado ao Brasil. A Meta, que controla plataformas como Facebook e Instagram, está apostando na tecnologia como a próxima fronteira da inteligência artificial, oferecendo uma experiência mais avançada do que os tradicionais chatbots. Para entender melhor o funcionamento do Muse, um jornalista do New York Times passou duas semanas testando o aplicativo. Durante esse período, ele confiou ao Muse dados pessoais, como informações bancárias e acesso a e-mails, e pediu que realizasse diversas tarefas do dia a dia, como fazer compras de supermercado e agendar reuniões. O resultado foi surpreendente: o Muse se destacou como um dos aplicativos de IA mais úteis já experimentados.
Um dos momentos mais impressionantes ocorreu quando o Muse, após ter acesso aos cartões de crédito do usuário, conseguiu organizar gastos em uma planilha do Google Sheets, identificando e cancelando assinaturas duplicadas, além de solicitar reembolsos automaticamente. Essa capacidade de automatizar tarefas financeiras e administrativas é um dos grandes atrativos do Muse.
Entretanto, a adoção de agentes de IA como o Muse ainda enfrenta desafios. A confiança é um fator crucial, especialmente considerando o histórico da Meta em questões de privacidade. Muitos usuários podem hesitar em compartilhar informações sensíveis com um agente que opera sob a bandeira de uma empresa que já enfrentou críticas por sua gestão de dados pessoais. Além disso, algumas plataformas, como a Amazon, já restringiram o acesso do Muse em seus termos de serviço, o que pode limitar sua funcionalidade.
O processo de utilização do Muse é simples: após baixar o aplicativo gratuito e fazer login com contas do Instagram ou Facebook, o usuário pode começar a interagir com o agente. Embora existam opções gratuitas, recursos adicionais estão disponíveis mediante pagamento, variando de US$ 20 a US$ 100 por mês. Durante a interação, o usuário pode personalizar o agente, que pode ser chamado de Wren, representado por um simpático pássaro marrom. A experiência com o Muse revelou que ele é capaz de preencher formulários online de maneira eficiente e até realizar pagamentos, como multas de estacionamento, sempre solicitando autorização antes de finalizar a operação. Além disso, o agente pode fazer ligações telefônicas utilizando diferentes vozes, o que pode ser útil em atendimentos ao cliente.
Embora o Muse tenha se mostrado eficaz em muitas tarefas, ele também enfrentou dificuldades, especialmente ao tentar acessar contas em sites de terceiros. Por exemplo, não conseguiu comprar ingressos para um jogo de futebol sem ajuda e teve problemas para acessar programas de recompensas. Isso levanta questões sobre a eficácia do agente em situações mais complexas.
Por fim, ao tentar descobrir uma forma de gastar o dinheiro economizado com a ajuda do Muse, o jornalista pediu sugestões. Em vez de uma ideia altruísta, como fazer uma doação, o agente sugeriu comprar cerâmicas de uma marca local, demonstrando que, apesar de suas capacidades, o Muse ainda possui limitações em termos de empatia e criatividade. A experiência com o Muse destaca um futuro onde agentes de inteligência artificial podem se tornar assistentes indispensáveis na vida cotidiana, mas também ressalta a necessidade de cautela em relação à privacidade e à confiança que os usuários depositam nessas tecnologias.




