O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, desafiou nesta sexta-feira (18) a pressão do governo Trump ao afirmar que seu país não enviará tropas nem recursos militares para apoiar a guerra no Irã, liderada pelos Estados Unidos. A declaração ocorre em um momento de crescente tensão diplomática entre Seul e Washington, especialmente após críticas públicas de Trump sobre a falta de apoio sul-coreano para a defesa do estreito de Hormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Durante uma coletiva de imprensa, Lee foi enfático em sua posição, afirmando: “Não haverá envio de tropas nem de recursos militares para participar desta guerra ou intervir nela”. Ele destacou que, em vez de se envolver em operações de combate, a Coreia do Sul está considerando ampliar o alcance operacional de um destróier da marinha e de navios de apoio, que atualmente estão posicionados ao largo da costa da Somália para combater a pirataria. Lee enfatizou que, mesmo que esses navios se aproximem do mar Vermelho ou do estreito de Hormuz, seu único objetivo será proteger petroleiros sul-coreanos e outras embarcações comerciais, sem participar de operações que possam ser vistas como apoio à guerra no Irã.
A recusa de Seul em enviar tropas ocorre em um contexto de frustração crescente por parte de Trump, que, em declarações recentes, lamentou a falta de apoio militar da Coreia do Sul. O presidente americano recordou que havia solicitado a Lee uma ajuda no conflito, lembrando-o da presença militar dos EUA na Coreia do Sul. Trump disse: “Ele disse: ‘Não, obrigado’. Entendo. Bem, então por que estamos envolvidos em ajudá-los?”.
A crise de popularidade de Lee, que atualmente enfrenta um índice de aprovação de apenas 37%, é agravada por questões internas e pela pressão externa dos Estados Unidos. Recentemente, Trump reduziu unilateralmente um dos exercícios militares conjuntos anuais entre os dois países, classificando as manobras como caras e hostis à Coreia do Norte. O presidente americano também se vangloriou de manter uma boa relação com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, apesar do aumento das ameaças nucleares provenientes do Norte.
Internamente, a economia sul-coreana também enfrenta desafios, com o principal índice da Bolsa apresentando uma queda acentuada, afetando muitos investidores que foram incentivados pelo governo de Lee a comprar ações. Além disso, o presidente não conseguiu cumprir promessas de conter a alta dos custos de moradia, o que gerou descontentamento entre a população. A oposição política acusa Lee de tentar emendar a Constituição para permitir um segundo mandato, algo que é proibido pela legislação atual. Lee, por sua vez, afirmou que não tem intenção de buscar a reeleição, considerando essa possibilidade “constitucionalmente impossível”.
Em relação às investigações criminais que enfrenta, Lee manifestou apoio à nomeação de um promotor especial pela Assembleia Nacional para investigar se políticos, incluindo ele mesmo, foram alvo de investigações motivadas politicamente durante o governo do ex-presidente Yoon Suk-yeol, que foi destituído após um impeachment. Lee também destacou que seu governo continua em negociações com Washington sobre a implementação de um acordo que reduz tarifas sobre produtos sul-coreanos e promete apoio dos EUA para o desenvolvimento de submarinos de propulsão nuclear. No entanto, as negociações estão paralisadas devido a divergências sobre os detalhes do pacto, gerando incertezas sobre a disposição de ambos os lados em cumprir os compromissos assumidos.




