Post: Uruguai se torna destino preferido de cubanos em busca de novas oportunidades

O Uruguai se tornou um destino preferido para cubanos em busca de refúgio e melhores condições de vida, com um aumento significativo nos pedidos de
Uruguai se torna destino preferido de cubanos em busca de novas oportunidades

Nos últimos anos, o Uruguai emergiu como um refúgio para milhares de cubanos que buscam escapar da crise em sua ilha natal. A história de Liudmila Medina, que enfrentou uma jornada de mais de 7.000 quilômetros ao lado de sua família, ilustra bem essa nova realidade. Após um frustrante plano de emigração para os Estados Unidos, que foi interrompido devido a problemas com passaporte, Liudmila e sua família decidiram seguir um novo caminho, desembarcando na Guiana e atravessando a América do Sul até chegar ao Uruguai em abril de 2024.

O contexto de crise humanitária em Cuba, agravado por problemas econômicos e sociais, levou a um êxodo sem precedentes. Em 2025, o saldo de entradas de cubanos no Uruguai superou as saídas em 14.961 pessoas, segundo dados da Direção Nacional de Migração. Entre janeiro e julho de 2026, o saldo positivo foi de 8.123. O fenômeno se intensificou desde 2019, com um aumento significativo nos pedidos de refúgio, que chegaram a uma média de 1,3 mil por mês no primeiro semestre deste ano.

A vice-chanceler uruguaia, Valeria Csukasi, explica que a maioria dos pedidos de refúgio (89%) vem de cubanos. O acúmulo de solicitações é resultado de um descompasso entre o volume de pedidos e a capacidade institucional para processá-los. Com uma população de 3,4 milhões de habitantes, o Uruguai se destaca proporcionalmente como um dos países que mais acolhem cubanos, enquanto o Brasil, com 214 milhões de habitantes, também vê um aumento no número de pedidos de refúgio.

Os cubanos que chegam ao Uruguai têm diversas motivações para escolher esse destino, mesmo com o custo de vida relativamente alto. A tradicional rota migratória para os Estados Unidos foi interrompida por restrições impostas pelo governo anterior e pela exigência de vistos pela Nicarágua, que funcionava como uma ponte de saída. O Uruguai, por sua vez, mantém uma tradição de acolhimento e oferece serviços de saúde e educação gratuitos, além de assistência social a estrangeiros residentes.

Madelyn del Río, presidente da ONG Manos Cubanas, que auxilia os recém-chegados, destaca que o Uruguai é visto como um “oásis” para muitos cubanos. Estima-se que cerca de 60 mil cubanos residam atualmente no país, cinco vezes mais do que os 11.826 registrados no último censo de 2023. A maioria ainda entra pela fronteira com o Brasil, pois essa rota é mais rápida do que aguardar os trâmites de vistos.

Del Río, que chegou ao Uruguai em 2019, trabalhou inicialmente como faxineira e hoje é babá, tendo conseguido trazer seus filhos e neta para o país. Apesar de ter cidadania uruguaia, ainda não revalidou seu diploma de socióloga devido aos altos custos do processo em Cuba. Uma análise da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM) revelou que a entrada de cubanos no Uruguai a partir do Brasil aumentou significativamente, especialmente pelo posto fronteiriço utilizado por Liudmila e sua família. Entre janeiro e outubro de 2025, mais de 11 mil cubanos cruzaram a fronteira, com uma média de 30 passagens diárias pelo controle migratório conjunto. Essa nova realidade reflete não apenas a busca por melhores condições de vida, mas também a esperança de um futuro mais promissor para os cubanos que buscam recomeçar suas vidas em terras uruguaias.

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