Na próxima sexta-feira, uma pequena multidão se reunirá no memorial do 11 de setembro, em Manhattan, para marcar o 25º aniversário do trágico evento. Neste ano, um novo sino será ouvido, além dos seis que tradicionalmente marcam a hora exata da queda dos quatro aviões e do desabamento das torres gêmeas. Cada toque do sino será seguido pela leitura dos nomes das 2.977 vítimas, enquanto o sétimo toque lembrará aqueles que morreram devido a doenças associadas ao ar tóxico da área, estimando-se que mais de 5.000 pessoas faleceram por problemas de saúde decorrentes do trabalho de resgate e da proximidade com os escombros.
Recentemente, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou a liberação online de 170 mil documentos oficiais sobre a qualidade do ar na região, que estavam fora do alcance das vítimas e de suas famílias, dificultando o acesso a indenizações e cuidados médicos. Essa revelação, no entanto, não é o único fator que adiciona um tom sombrio ao aniversário deste ano. Pela primeira vez, um presidente em exercício não comparecerá à cerimônia. O vice-presidente J. D. Vance se juntará a ex-presidentes como Clinton, Bush, Obama e Biden, em uma homenagem marcada pelo silêncio, onde discursos são proibidos.
A ausência do presidente e as revelações sobre os documentos não são as únicas questões que permeiam o evento. O ex-prefeito Rudolph Giuliani, que governava a cidade durante o ataque, tem liderado uma campanha na mídia para proibir a presença de Mamdani na cerimônia, alegando que sua religião muçulmana é a razão para essa tentativa de exclusão. O atual prefeito, por sua vez, enfatizou que o foco da data deve ser as vítimas, ciente de que sua ausência seria amplamente criticada.
O cinismo de Giuliani ressoa na opinião pública. Uma pesquisa realizada seis meses após o ataque, em 2002, revelou que 25% dos americanos acreditavam que a religião islâmica encorajava a violência. Em 2023, esse número subiu para 51%. A guerra ao terror, iniciada por George W. Bush em 2001, continua sem um fim à vista. O projeto “Custo da Guerra” da Universidade Brown estima que as intervenções militares dos EUA em países como Iraque, Afeganistão, Síria, Iémen e Paquistão resultaram na morte de quase um milhão de pessoas, incluindo mais de 400 mil civis. Além disso, mais de 28 mil militares americanos, entre ativos e reservistas, cometeram suicídio nesse mesmo período.
O descontentamento em relação à presença de Mamdani no memorial é um reflexo da islamofobia que se espalhou pela cidade e pelo país após os ataques. O prefeito, que obteve 61% de aprovação em uma pesquisa recente, deve sua eleição, em parte, à mobilização da comunidade muçulmana contra essa onda de preconceito. No entanto, a polarização política e social continua a ser um obstáculo, e a memória das vítimas do 11 de setembro é frequentemente utilizada como moeda de troca em debates políticos.



