Na manhã de segunda-feira (31), a farmacêutica Letícia Queiroz, de 30 anos, recebeu a notícia de que a última prova de seu vestido de noiva seria adiada, a apenas cinco dias do seu casamento. A loja My Vintage Dress, responsável pela confecção da peça, comunicou que estava enfrentando “uma situação interna excepcional que exige medidas imediatas de reorganização”. Entre domingo (30) e a terça-feira (1º), a loja acumulou 20 novas reclamações na plataforma Reclame Aqui, com clientes relatando falta de comunicação, atrasos e problemas na entrega. Muitas publicações nas redes sociais mencionaram “caos” e “desespero” como parte da experiência das noivas.
Um vídeo que viralizou no TikTok apresenta uma mulher chamada Giulia, que, visivelmente emocionada, afirma ter descoberto o fechamento da loja pelas redes sociais e está em busca de seu vestido. Outras noivas também compartilharam suas experiências nas redes sociais, aumentando a repercussão do caso.
Localizada no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, a loja My Vintage Dress, que já produziu vestidos para personalidades como a cantora Lauana Prado e a médica e influenciadora Marcela Mc Gowan, conta com 178 mil seguidores no Instagram. À tarde, o pai de Letícia foi à loja em busca de informações e encontrou outras noivas na mesma situação. Letícia, que se dirigiu ao local após o trabalho, encontrou costureiras presentes que disseram ter sido demitidas às 11h da manhã, mas permaneceram para ajudar as noivas cujos casamentos estão próximos.
“Havia quase 50 pessoas lá dentro tentando resolver a situação, e as costureiras continuaram trabalhando, tentando, coitadas”, relata Letícia. Ela ficou até a madrugada no ateliê e saiu com o vestido inacabado, planejando finalizá-lo com outra costureira. Com o aumento da repercussão nas redes sociais, outras noivas se mobilizaram para ajudar as funcionárias da loja. “Minhas amigas noivas mandaram comida para nós e para as costureiras”, comenta.
Além disso, funcionários de outro ateliê da loja foram até o local para retirar peças de roupas dos manequins, após algumas noivas levarem vestidos expostos. “Começaram a surgir boatos de que a dona tinha levado um golpe de uma das sócias e que a loja faliu. O que as costureiras me disseram é que todas foram demitidas”, afirma Letícia. Apesar dos rumores, as costureiras expressaram seu apreço pela proprietária e permaneceram para ajudar. A proprietária, que teria passado mal no início do dia, foi ao hospital.
Camila Rossi, sócia da loja, afirmou que nunca deixou de entregar nenhum vestido em 14 anos de operação. “Por conta de boatos que circularam, não estamos conseguindo acessar os imóveis e a produção parou de ontem para hoje, o que tem dificultado nossa capacidade de honrar as retiradas das noivas”, declarou. A situação gerou um clima de incerteza e frustração entre as noivas que aguardam seus vestidos, a poucos dias de seus casamentos.




