Post: Economia brasileira apresenta desaceleração no segundo trimestre, com queda em junho, aponta BC

Economia brasileira desacelera no segundo trimestre de 2026, com queda em junho, segundo dados do Banco Central.
Economia brasileira apresenta desaceleração no segundo trimestre, com queda em junho, aponta BC

A economia brasileira encerrou o segundo trimestre de 2026 com um leve crescimento, apesar de registrar uma retração em junho, conforme os dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (17). O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que serve como indicador do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou uma queda de 0,6% em junho em comparação ao mês anterior, um resultado que ficou aquém das expectativas do mercado, que previa uma diminuição de 0,53%. Este foi apenas o segundo mês do ano em que o indicador apontou contração, sendo os outros meses de março e junho.

No acumulado do segundo trimestre, o IBC-Br cresceu 0,2%, uma desaceleração significativa em relação ao aumento de 1,2% registrado nos três primeiros meses do ano. A expansão foi impulsionada principalmente pelo setor de serviços, que continua a ser um motor fundamental da economia brasileira. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar os dados do PIB referentes ao segundo trimestre no dia 1º de setembro, após ter reportado um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre.

Analistas já esperavam essa desaceleração, considerando o forte desempenho do início do ano e os efeitos sazonais positivos da agropecuária. Além disso, as incertezas no cenário externo, como a guerra no Oriente Médio e as tarifas dos Estados Unidos, junto aos efeitos defasados da política monetária restritiva, também contribuem para essa situação. Recentemente, o Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, agora em 14% ao ano, mantendo a possibilidade de novos cortes dependendo da evolução do cenário econômico.

O economista Matheus Pizzani, do PicPay, destacou que a expectativa é de que a desaceleração da atividade, juntamente com outros fatores, como as surpresas positivas do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permita a continuidade do ciclo de cortes até que a Selic atinja 13,50%, a estimativa para 2026.

Os dados do Banco Central também mostraram que, em junho, a agropecuária teve um crescimento de 1% em relação a maio, encerrando o segundo trimestre com um ganho de 0,3%. Em contrapartida, a indústria enfrentou uma retração de 1,4% no mês, mas ainda conseguiu crescer 0,5% no período de abril a junho. O setor de serviços, por sua vez, registrou uma queda de 0,5% em junho e uma leve retração de 0,1% no segundo trimestre.

Na comparação com junho do ano anterior, o IBC-Br teve um crescimento de 2,4%, e no acumulado dos últimos 12 meses, a alta chega a 1,5%, conforme dados não dessazonalizados. A pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, aponta que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,98%, com uma previsão de 1,5% para 2027.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção. Esses dados são fundamentais para entender a dinâmica econômica do país e suas tendências futuras.

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