Rogério Caboclo, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), anunciou neste sábado (15) que não disputará a presidência do São Paulo. A decisão ocorre em meio a um cenário conturbado no clube, que enfrenta uma grave crise financeira e política. A eleição para a nova presidência está marcada para dezembro, e a desistência de Caboclo foi comunicada em uma carta onde ele enfatizou que sua escolha não deve ser interpretada como um afastamento de suas responsabilidades com o clube. “Essa decisão não representa afastamento, recuo ou diminuição do meu compromisso com o clube. Ao contrário: ela nasce da compreensão de que, neste momento, a unidade da oposição deve estar acima de qualquer projeto individual. A partir de agora, caberá ao processo eleitoral encontrar outros caminhos para reunir experiência comprovada, capacidade de gestão e conhecimento das principais estruturas do futebol brasileiro”, declarou Caboclo. O ex-dirigente, que foi afastado da CBF em 2021 devido a denúncias de assédio moral e sexual, embora tenha se livrado das acusações na Justiça comum, havia emergido como um dos nomes cotados para a presidência do São Paulo após o vazamento de um vídeo que mostrava um encontro seu com figuras influentes do clube. O São Paulo, que atravessa uma crise profunda, viu sua situação se agravar após a renúncia de Julio Casares, que deixou a presidência em janeiro deste ano, no mesmo dia em que a Polícia Civil realizou uma operação contra um suposto esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbi. Atualmente, o clube enfrenta uma dívida de R$ 858 milhões, segundo um balanço financeiro recente. Harry Massis Júnior, o atual presidente que assumiu após o afastamento de Casares, é visto como o nome mais provável para a continuidade da gestão, embora ele afirme que está apenas em uma gestão transitória. Massis tem enfrentado intensa pressão, especialmente por conta de um pedido de expulsão do quadro associativo, que foi encaminhado à Comissão de Ética por oito conselheiros, que alegam gestão temerária. Além disso, ele tenta resolver um impasse relacionado ao pagamento de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,8 milhões) à Lazio, referente à compra do jogador Marcos Antônio, que resultou em um “transfer ban” para o clube. Com a desistência de Caboclo, o futuro do São Paulo permanece incerto, e a próxima eleição será crucial para a definição dos rumos da instituição, que precisa urgentemente de um equilíbrio orçamentário e de uma gestão sólida para enfrentar os desafios que se avizinham.



