Post: Polícia de SP captura integrantes do PCC que planejavam ataques a promotores

Polícia de SP prende membros do PCC que planejavam atentados contra promotores, incluindo Lincoln Gakiya e Roberto Medina.
Polícia de SP captura integrantes do PCC que planejavam ataques a promotores

Em uma operação coordenada, as forças de segurança de São Paulo realizaram a prisão de dois homens suspeitos de serem membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os detidos, identificados como Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH” ou “Falcão”, e Adilson Audinir Oliveira Junior, apelidado de “Ju Machado”, foram capturados após a emissão de mandados de prisão preventiva pela Justiça. A Secretaria de Segurança Pública do estado confirmou que esses indivíduos eram os últimos investigados no âmbito da Operação Recon.

As investigações revelaram que os acusados estavam envolvidos em um esquema de monitoramento e planejamento de atentados contra figuras proeminentes do sistema de justiça e segurança pública. Os principais alvos eram o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e Roberto Medina, coordenador das unidades prisionais da Região Oeste, que inclui o presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau.

Os mandados de prisão foram cumpridos nas cidades de Presidente Prudente e Álvares Machado, localizadas na região Oeste do estado. O nível de detalhamento da espionagem realizada pelos membros do PCC impressionou as autoridades. O planejamento não se tratava de uma ação isolada, mas sim de uma diretriz que emanava de lideranças da facção dentro dos presídios. O grupo possuía informações minuciosas sobre os endereços, rotinas e hábitos das autoridades e de seus familiares.

As informações coletadas incluíam mapas de trajetos e fotos de locais frequentados pelas famílias dos alvos, que eram enviadas para a “Sintonia Restrita”, uma divisão da organização responsável por planejar ações estratégicas de alto impacto, como atentados contra autoridades públicas. Além do monitoramento, a investigação também indicou que havia uma busca por poder bélico. Sérgio Garcia da Silva, conhecido como “Messi”, outro denunciado que já se encontra preso, teria levantado informações sobre a vida do promotor Gakiya e negociado a aquisição de armamentos pesados, incluindo fuzis.

Gakiya, que atua há cerca de duas décadas na investigação do PCC, foi responsável por solicitar a transferência de integrantes da cúpula da facção, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, para presídios federais em 2019. Desde 2018, ele vive sob escolta policial devido ao seu trabalho. Sua experiência o colocou em destaque na política nacional, com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, convidando-o para comandar o Ministério da Segurança Pública caso seja eleito presidente em 2026, convite que Gakiya recusou.

Mensagens interceptadas durante a investigação revelaram a preocupação dos criminosos em eliminar provas e conversas relacionadas ao plano de coleta de dados. Segundo a denúncia, VH foi o responsável direto por monitorar Medina, filmando o percurso entre a penitenciária e a residência do coordenador, além de fotografar placas de veículos e seguir a esposa da vítima até seu local de trabalho em Presidente Venceslau.

No total, quatro homens foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo em julho. Enquanto “Corinthinha” e “Messi” já estavam sob custódia, VH e Ju Machado respondiam aos crimes em liberdade até a operação de ontem. A Gazeta do Povo está tentando contato com a defesa das vítimas, e o espaço permanece aberto para manifestações sobre as acusações apresentadas pelo Ministério Público.

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