Após um período de crescimento significativo, a indústria náutica brasileira está enfrentando um momento de retração nas vendas de iates e embarcações recreativas. Essa desaceleração é atribuída ao aumento dos custos de financiamento e às tarifas sobre as exportações, especialmente em decorrência das políticas comerciais do governo Donald Trump.
O primeiro semestre de 2026 revelou um desempenho inferior ao mesmo período de 2025, com uma queda notável nas vendas de embarcações de até 40 pés, que são mais sensíveis às flutuações de crédito e juros. Eduardo Colunna, presidente da Acobar, associação que representa os construtores de barcos, destaca que a retração foi esperada, dado o cenário econômico atual. “Esse movimento de desaceleração não ocorre apenas no mercado brasileiro; trata-se de uma acomodação observada mundialmente após o forte crescimento registrado durante e depois da pandemia”, afirma Colunna.
Embora os dados sobre exportações em 2025 ainda não estejam consolidados, Colunna estima que houve uma queda de cerca de 10% em relação a 2024. O impacto do tarifaço imposto por Trump, que inclui os barcos recreativos, continua a afetar o setor, já que os Estados Unidos são o principal mercado para os modelos produzidos no Brasil. Apesar dos resultados negativos, a Acobar não demonstra preocupação excessiva, pois a queda nas vendas já era prevista. O faturamento do setor náutico em 2025 foi de aproximadamente R$ 2,5 bilhões, e a entidade estima que o segmento é responsável por cerca de 150 mil postos de trabalho no país, produzindo anualmente 4.500 embarcações.
Ainda assim, novos lançamentos continuam a ocorrer. Um dos modelos que promete agitar o mercado é o iate Assinnatta 510 Super Sport, que deve ser apresentado no São Paulo Boat Show em setembro. Com quatro motores e capacidade para 20 pessoas, o iate tem velocidade máxima superior a 120 km/h e um preço estimado em mais de R$ 7 milhões. O CEO da Armatti & Fishing, Fernando Assinato, destaca que, apesar da retração geral, a empresa encerrou o primeiro semestre de 2026 com vendas de cerca de R$ 20 milhões, um aumento de quase 40% em relação ao ano anterior. Essa combinação de desafios e oportunidades mostra que, mesmo em tempos difíceis, o setor náutico brasileiro continua a buscar inovação e crescimento, refletindo a resiliência de um mercado que, embora impactado por fatores externos, ainda encontra maneiras de se expandir e se adaptar às novas realidades econômicas.



