O partido Republicanos anunciou nesta quarta-feira (29) que o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) não será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Em um comunicado oficial, a legenda atribuiu ao próprio parlamentar a responsabilidade pela interrupção das articulações, afirmando que ele nunca confirmou de forma definitiva seu compromisso em disputar o Palácio Tiradentes, sede do governo mineiro. Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto, Cleitinho não demonstrou disposição para oficializar sua candidatura, o que atrasou as negociações com partidos aliados e comprometeu a formação da chapa.
“Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo”, afirmou a nota do Republicanos.
A decisão do partido foi divulgada menos de um dia após Cleitinho compartilhar um vídeo gerado por inteligência artificial, no qual interagia com seu pai e irmão, ambos já falecidos. Na narrativa, eles o incentivavam a seguir sua missão política e, ao final, entregavam a bandeira de Minas Gerais ao senador, sugerindo que ele havia decidido concorrer ao governo estadual.
O vídeo foi divulgado horas depois de uma pesquisa da Quaest, que indicou que Cleitinho liderava a corrida no primeiro turno com 35% das intenções de voto, 23 pontos à frente de Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte (PDT), que registrou 12%. O deputado federal Patrus Ananias (PT) aparece com 10%.
A pesquisa, realizada pela Genial/Quaest entre os dias 22 e 26 de julho, entrevistou 1.482 eleitores de Minas Gerais. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo MG-03490/2026.
O Republicanos informou que manteve diálogo com Cleitinho durante meses, oferecendo condições políticas para sua candidatura e adiando decisões estratégicas enquanto aguardava uma resposta definitiva do senador. “O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”, diz o comunicado.
A ausência de Cleitinho na convenção estadual, realizada em 25 de julho, teve consequências políticas e forçou aliados a reorganizarem seus projetos eleitorais. “Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral”, afirmou o partido.
Na nota, o Republicanos expressou respeito pela trajetória e mandato de Cleitinho, mas ressaltou a necessidade de dar previsibilidade ao processo eleitoral e aos candidatos da legenda. “O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la”, conclui o comunicado. A situação agora pressiona Cleitinho a definir seu futuro político em meio a um cenário eleitoral cada vez mais competitivo em Minas Gerais.




