Um hotel na Guiné Equatorial, que foi transformado em prisão, se tornou um verdadeiro pesadelo para imigrantes deportados dos Estados Unidos. Segundo relatos de testemunhas e advogados, dois homens deportados pela administração Trump foram encapuzados, amarrados e agredidos por policiais em um local onde estão sendo mantidos sem prazo definido. Os deportados, que incluem cidadãos de vários países, afirmam que as agressões têm como objetivo silenciá-los sobre as condições precárias e a crescente violência no hotel, que abriga atualmente 29 pessoas.
A Guiné Equatorial, um país conhecido por suas severas violações dos direitos humanos, concordou em receber imigrantes deportados dos EUA, mas não lhes concede qualquer status legal. Os deportados se encontram no Hotel Bamy, um edifício deteriorado nos arredores da capital, Malabo, sob vigilância constante de policiais armados, que frequentemente os assediam. Ahmed Soliman, um dos deportados, expressou seu desespero em uma mensagem enviada ao *The New York Times*: “Estamos em perigo iminente agora e não podemos continuar vivendo assim. Estou cansado e realmente temo pela minha vida.”
As condições no hotel são alarmantes, com relatos de falta de água potável, alimentação adequada e assistência médica. Apesar de não terem sido acusados de crimes, os deportados enfrentam uma detenção indefinida, refletindo a contradição dos acordos entre os EUA e governos de países autoritários. Juízes americanos já haviam decidido que muitos desses imigrantes não poderiam ser deportados para seus países de origem devido ao risco de tortura ou perseguição. No entanto, a administração Trump reverteu essa política, buscando países dispostos a acolhê-los.
As agressões policiais se intensificaram nas últimas semanas, culminando em um incidente em 11 de setembro, quando dois deportados foram brutalmente espancados. Os policiais, em busca de celulares usados para se comunicar com jornalistas e advogados, cobriram os rostos dos homens com sacos e os agrediram, sob a observação de outros deportados. Os gritos dos policiais ecoavam: “Onde está o telefone?”. A situação se agravou após a divulgação de um vídeo que mostrava as condições deploráveis no hotel.
Os deportados, que falam sob anonimato por medo de represálias, relataram que a polícia não apenas os agrediu, mas também revirou seus quartos em busca de celulares. Os advogados que representam esses imigrantes discutiram os detalhes das agressões e as prisões, enquanto um advogado local também se manifestou, temendo represálias.
O governo da Guiné Equatorial não respondeu a solicitações de comentários, e o Departamento de Estado dos EUA se limitou a afirmar que todos os deportados foram enviados a um “terceiro país seguro”. No entanto, a realidade no Hotel Bamy sugere uma situação bem diferente, em que os direitos humanos estão sendo sistematicamente violados.
Nos últimos meses, o *The New York Times* entrevistou vários deportados que descreveram o clima de medo e agressão constante. A presença de policiais armados, muitos dos quais aparentam estar embriagados, agrava ainda mais a situação. A transformação do hotel em uma prisão representa não apenas uma violação dos direitos dos deportados, mas também um reflexo das políticas de deportação da administração Trump, que têm sido amplamente criticadas por especialistas e defensores dos direitos humanos. A Guiné Equatorial havia garantido aos EUA, em nota diplomática, que não submeteria os deportados a tortura ou maus-tratos. Contudo, a realidade vivida por esses imigrantes desafia essa promessa, levantando questões sobre a responsabilidade dos governos envolvidos e a proteção dos direitos humanos em situações de deportação.



