Uma investigação externa realizada pela Fundação Gates revelou que a instituição manteve relações com o criminoso sexual Jeffrey Epstein entre 2011 e 2014, mas não encontrou evidências de pagamentos ou envolvimento em atividades criminosas ligadas a ele. A apuração foi divulgada nesta terça-feira (21) e foi conduzida pelo escritório de advocacia WilmerHale, que entrevistou mais de 50 funcionários atuais e ex-funcionários, além de analisar uma vasta documentação.
A Fundação Gates, que se tornou uma das principais financiadoras de iniciativas de saúde global, iniciou a investigação após críticas à relação do cofundador Bill Gates com Epstein, especialmente após a divulgação de e-mails pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A apuração confirmou que o contato da fundação com Epstein se concentrou em duas questões: uma proposta de fundo orientado por doadores e uma organização sem fins lucrativos chamada Instituto Internacional da Paz (IPI). Embora a fundação não tenha avançado com a proposta do fundo, ela forneceu financiamento ao IPI para apoiar a erradicação da poliomielite.
Em comunicado, a Fundação Gates afirmou que não encontrou evidências de que Epstein tenha recebido pagamentos ou que a organização estivesse ciente de operações de tráfico sexual. A investigação também destacou que Gates e outros líderes da fundação foram alertados sobre os riscos de se associar a Epstein, que já havia sido condenado por crimes sexuais contra menores antes do início das conversas com a fundação.
Gates expressou seu pesar por qualquer envolvimento com Epstein e negou ter passado tempo com vítimas de abuso sexual, afirmando que nunca testemunhou conduta criminosa por parte dele. Ele não foi acusado de nenhum crime. “Concluir esta revisão é um passo importante para fornecer a clareza que parceiros, funcionários e beneficiários merecem”, disse Gates, ressaltando o compromisso da fundação com a transparência e a supervisão.
Recentemente, o investidor Warren Buffett, amigo de longa data de Gates, excluiu a Fundação Gates de sua doação anual de ações, descrevendo a relação de Gates com Epstein como “desagradável”. A fundação implementou mudanças de governança, incluindo um processo centralizado de avaliação para potenciais facilitadores de financiamento e um sistema para sinalizar riscos organizacionais em projetos relacionados a Gates.




