A recente eleição de Abelardo de la Espriella, um político de direita na Colômbia, tem gerado apreensão entre os círculos políticos e diplomáticos da América Latina. Essa preocupação não se deve apenas ao seu posicionamento ideológico, mas também ao que muitos interpretam como um desdém pela democracia, um fenômeno que, vale lembrar, também foi observado na esquerda colombiana derrotada, que se recusa a dialogar com o governo eleito.
Espriella, em linha com as expectativas de seus apoiadores, nomeou Omar Bula Escobar como seu chanceler. Bula, um politólogo com uma carreira marcada por críticas ao globalismo e uma defesa explícita de um alinhamento com o Ocidente, traz consigo uma visão que pode mudar radicalmente a abordagem da Colômbia em relação às suas relações exteriores. Sua experiência no sistema das Nações Unidas e seu conhecimento em missões humanitárias contrastam com sua retórica atual, que inclui uma postura dura contra Cuba, Nicarágua, China e Rússia.
Sob a liderança de Gustavo Petro, a diplomacia colombiana havia priorizado a América Latina, os direitos humanos e o diálogo com nações como Cuba e Venezuela. Com a ascensão de Bula, espera-se que o foco se desloque para alianças mais próximas com Washington, Londres e Ottawa, o que pode resultar em um endurecimento das relações com países que não compartilham da mesma visão ideológica.
As mudanças nas prioridades diplomáticas são comuns em transições de governo, mas o que preocupa é a possibilidade de que a Colômbia adote uma abordagem mais beligerante e ideológica, abandonando a negociação e a previsibilidade que caracterizavam sua política externa. A falta de um “empalme” — um processo de transição onde as equipes de governo se comunicam para passar informações relevantes — entre as administrações de Espriella e Petro também levanta questões sobre a continuidade e a estabilidade das políticas públicas.
Para o Brasil, essa nova postura da Colômbia representa um desafio. A diplomacia brasileira precisa evitar uma resposta ideológica semelhante, reconhecendo que cada país da região possui suas particularidades. A Colômbia, com sua posição estratégica e sua importância nas questões de segurança e combate ao crime organizado, não pode ser vista apenas como mais um governo conservador.
O pragmatismo será essencial na abordagem do Brasil em relação à Colômbia. A diplomacia brasileira tem se mostrado capaz de tratar cada governo de maneira única, sem se deixar levar por rótulos ideológicos. A direita de Keiko no Peru, por exemplo, não é a mesma de Milei na Argentina, assim como a de Espriella na Colômbia apresenta suas próprias nuances. A habilidade do Brasil em lidar com essas diferenças será crucial para manter relações saudáveis e produtivas na região, especialmente em um cenário onde a polarização política parece estar se intensificando. A Colômbia de Espriella pode estar se preparando para uma nova era, mas a resposta do Brasil deve ser baseada na realidade geopolítica e nas necessidades de cooperação mútua, não em ideologias.




