A IG4, gestora de recursos especializada em reestruturação de empresas, está em negociações para adquirir uma participação na Oncoclínicas, a maior rede de clínicas de tratamento oncológico do Brasil. A empresa iniciou, na última segunda-feira (13), um processo de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida que ultrapassa R$ 5,1 bilhões. Embora o modelo de participação ainda não tenha sido oficialmente divulgado, a intenção da IG4 é colaborar nas negociações para ajudar a Oncoclínicas, que enfrenta dificuldades financeiras devido a um plano de expansão agressivo e à crise do Banco Master, um de seus sócios relevantes desde 2024. A IG4 já realizou movimentos semelhantes com outras grandes empresas brasileiras, como Braskem e Raízen, que também enfrentam problemas financeiros. No caso da Braskem, a gestora adquiriu a participação da Novonor (ex-Odebrecht), enquanto na Raízen, está em negociação para comprar créditos e se tornar acionista. A experiência da IG4 em reestruturação financeira pode ser crucial para facilitar acordos com os credores da Oncoclínicas, permitindo a redução de valores e o alongamento de vencimentos em troca de uma perspectiva de crescimento futuro. As negociações com os credores foram inicialmente reportadas pelo jornal Valor Econômico e confirmadas pela Folha com fontes próximas ao assunto. Fundada em 2010 pelo oncologista Bruno Ferrari, a Oncoclínicas possui 142 unidades em 49 cidades e conta com mais de 1.700 médicos especializados. Nos últimos 12 meses, a rede realizou cerca de 593 mil tratamentos. Em 2024, o Banco Master, sob a liderança de Daniel Vorcaro, adquiriu 10% da Oncoclínicas e, em julho do mesmo ano, consolidou uma participação de 20,18% após um aporte adicional. No entanto, as compras do Banco Master foram revistas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) por configurarem gun jumping, um termo que se refere a operações que superam o limite de 20% do controle sem notificação ao órgão regulador. A situação financeira da Oncoclínicas se agravou após a prisão de Vorcaro e a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, levando a uma espiral de problemas financeiros e incertezas sobre os verdadeiros detentores das ações do ex-banqueiro. Recentemente, a Oncoclínicas reportou um prejuízo consolidado de R$ 3,67 bilhões para o ano de 2025, com uma relação de dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 4,3x.




