O julgamento de Sergio Roberto de Carvalho, ex-major da Polícia Militar brasileira, está prestes a ser retomado em 7 de setembro na Bélgica e promete revelar conexões ocultas do narcotráfico internacional. De acordo com o delegado Sérgio Stinglin, que liderou a operação Enterprise, Carvalho é comparado a figuras notórias como Pablo Escobar e Joaquín “El Chapo” Guzmán, devido ao seu papel como um dos principais narcotraficantes da história. O ex-policial é acusado de ser um dos responsáveis pela distribuição de cocaína na Europa, um esquema que resultou na apreensão de mais de R$ 1 bilhão em bens no Brasil, incluindo 36 aviões.
A trajetória criminosa de Carvalho remonta à década de 1980, quando ele começou como contrabandista na fronteira com o Paraguai. Segundo Stinglin, o ex-major não apenas fornecia a droga, mas também dividia os lucros da venda no mercado europeu. “Ele era o dono de uma operação que pegava cocaína na fonte na Bolívia e no Peru e a levava até a Europa”, explica o delegado. A investigação aponta que Carvalho lucrou pelo menos 380 milhões de euros, o que equivale a mais de R$ 2 bilhões, com as 50 toneladas de cocaína envolvidas na operação.
Os bens apreendidos incluem imóveis, joias e carros de luxo, e o ex-major é acusado de ter uma rede logística complexa que envolvia diferentes grupos criminosos. Stinglin afirma que a estrutura do tráfico internacional é setorizada, com grupos especializados em cada etapa do processo, desde a produção até a distribuição. “É claro que há membros das facções que participam dessa cadeia logística, mas eles não dominam o tráfico internacional”, completa.
Na Bélgica, Carvalho enfrenta acusações relacionadas a 16 toneladas de cocaína, das quais apenas 3,2 toneladas foram apreendidas. Em Portugal, um de seus associados, Rúben Oliveira, também está sendo julgado por envolvimento em tráfico. A colaboração internacional da Polícia Federal com países como Portugal, Espanha, e Emirados Árabes Unidos está em andamento, buscando desmantelar essa rede criminosa.
A história de Sergio Roberto de Carvalho é marcada por uma série de contratempos e crimes, desde contrabando de pneus até a chefiar uma rede de máquinas caça-níquel. Sua ascensão no crime é um reflexo da complexidade do narcotráfico, onde ex-policiais podem se tornar figuras centrais em operações internacionais. O desfecho do julgamento pode trazer à tona informações cruciais sobre as conexões do narcotráfico e a atuação de grandes facções no Brasil e no exterior. Continue acompanhando o Clique Agora para mais notícias sobre política, cidades, economia, segurança, agronegócio e os principais acontecimentos de Rondonópolis, Mato Grosso e do Brasil.




