Em um cenário de intensa emoção e fervor, milhares de pessoas se reuniram em Teerã para se despedir do aiatolá Ali Khamenei, em um cortejo fúnebre que se estendeu por 10 horas. O evento, que ocorreu quatro meses após o assassinato que desencadeou a guerra, foi marcado por gritos de vingança e uma atmosfera de luto coletivo. A multidão se aglomerou na praça Enghelab, um local simbólico que já testemunhou outras revoluções e protestos no Irã.
Às 6h da manhã, o calor já era intenso, e a estação de metrô estava repleta de pessoas vestidas de preto, refletindo a tradição de luto do país. O trajeto até a praça Enghelab foi marcado por uma mistura de sentimentos, onde a dor pela perda se unia ao desejo de justiça. A presença de “mokebs”, postos de alimentos e bebidas, demonstrou a organização do evento, que tomou emprestada a cultura de serviço husseiní, comum em funerais de líderes religiosos.
O cortejo, que se estendeu pela avenida Enghelab, foi uma homenagem não apenas ao aiatolá Khamenei, mas também uma reafirmação da luta histórica dos muçulmanos xiitas. Os participantes, ao receberem água e alimentos, gritavam “Yalasarat al-Khamenei”, um eco do clamor por vingança que remete ao imã Hussein, neto do profeta Maomé, que foi assassinado em 680 d.C.
A marcha seguiu pela avenida Valiasr, a mais longa de Teerã, onde a presença de bombeiros e ambulâncias garantiu a segurança dos participantes sob o sol escaldante. Acompanhados por imagens de Khamenei e outros líderes, os manifestantes expressavam sua dor e determinação em não esquecer a morte do aiatolá, que se tornara um símbolo de resistência e luta.
A jornada culminou na emblemática torre Azadi, onde a multidão se despediu, tocando o caixão e gritando o nome do líder. O cortejo, que levou cerca de dez horas para percorrer os 10 quilômetros, foi um testemunho do poder da coletividade e da história que une o povo iraniano em momentos de dor e perda. O corpo de Khamenei, que foi custodiado até o dia 9, se tornou um símbolo de luta e resistência, perpetuando a narrativa de um povo que clama por justiça em meio ao luto.




