Um caminhão de 14 metros partiu de Boa Vista, em Roraima, na última quinta-feira (2), com destino a Santa Elena de Uairén, na Venezuela, levando ajuda às vítimas dos recentes terremotos que devastaram a região. O veículo transporta uma carga de 17 toneladas, composta por alimentos, água potável, produtos de higiene, medicamentos, roupas e cadeiras de rodas, itens essenciais para o socorro das pessoas afetadas.
O número oficial de mortos, segundo um comunicado da ditadura venezuelana, já chega a 3.685, com mais de 17 mil feridos. A arrecadação foi organizada por quatro empresárias venezuelanas que, após migrar para o Brasil, decidiram mobilizar a comunidade em Boa Vista para ajudar seus compatriotas. A campanha começou após as organizadoras acompanharem as notícias sobre os terremotos à distância.
Em apenas uma semana, elas conseguiram reunir donativos com a ajuda de empresários, igrejas e moradores de Boa Vista e de outros estados. A carga será enviada com o apoio das autoridades locais até La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelo desastre ocorrido em 24 de junho. “Vimos tantas famílias afetadas, amigos e parentes de amigos. Eu sentia que precisava fazer algo além das orações”, afirma Katherine Motta, 32 anos, uma das organizadoras e empresária do setor de energia solar.
A mobilização teve a participação direta de aproximadamente 900 pessoas, além de cerca de 60 voluntários que ajudaram na triagem e separação dos materiais. A campanha optou por não aceitar doações em dinheiro, concentrando-se na arrecadação de produtos. A rede formada pelas empresárias rapidamente se expandiu, com clientes de outros estados comprando alimentos e medicamentos online e enviando para os pontos de coleta em Roraima.
As idealizadoras da campanha compartilham histórias semelhantes, todas chegaram ao Brasil durante a crise migratória venezuelana e reconstruíram suas vidas em Boa Vista. Hoje, elas lideram empresas que servem como pontos de arrecadação e ajudam a divulgar a campanha nas redes sociais. “Percebi que, mesmo sem ter dinheiro para uma grande doação, poderia usar minha marca conhecida para mobilizar pessoas”, diz Gresliz Aguilera, 33 anos, proprietária de uma loja de donuts em Roraima.
Entre os voluntários, destaca-se Carina Frota Farias, 50 anos, servidora pública que se juntou à causa para ajudar na triagem e organização das doações. A solidariedade e a união da comunidade têm sido fundamentais para levar esperança e apoio aos que mais precisam na Venezuela, mostrando que a empatia pode superar fronteiras e desafios.



