Sergio Roberto de Carvalho, um ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso, conhecido como o “Pablo Escobar brasileiro”, está enfrentando um julgamento na Bélgica, acusado de liderar uma rede de tráfico de drogas que enviou impressionantes 67 toneladas de cocaína para a Europa entre 2017 e 2020. Este esquema é considerado o maior já documentado na chamada Rota do Atlântico, superando até mesmo as operações de facções criminosas notórias.
As investigações, conduzidas pela Polícia Federal do Brasil em colaboração com a Europol e autoridades belgas, revelaram que Carvalho operava como um verdadeiro “fantasma” do crime organizado. Ele utilizava jatos particulares e passaportes falsos para se deslocar entre o Brasil e a Europa, evitando deixar rastros. A sua estratégia incluía a criação de uma identidade como empresário milionário, proprietário de empresas legítimas de táxi aéreo e comércio, o que lhe permitia transitar com facilidade.
A descoberta do esquema se intensificou após a polícia francesa invadir e descriptografar o EncroChat, um aplicativo de mensagens usado por criminosos para se comunicar de forma segura. A partir dessas informações, a colaboração internacional revelou que Carvalho tinha sócios em diversos países, incluindo Espanha, Portugal, Holanda, Alemanha e Emirados Árabes Unidos, todos envolvidos em uma complexa estrutura empresarial para o narcotráfico.
Após anos como foragido, o ex-major foi capturado em junho de 2022, enquanto tomava café da manhã em um hotel de luxo em Budapeste, acompanhado por um segurança particular, um ex-militar checheno. A operação de captura foi marcada por um forte aparato militar, com veículos blindados e helicópteros, devido ao alto risco de uma possível tentativa de resgate.
O julgamento de Carvalho teve início em maio de 2024 e, recentemente, a Justiça belga emitiu uma sentença interlocutória, uma decisão temporária sobre pedidos feitos pela defesa. As audiências estão programadas para continuar em 7 de setembro, quando o tribunal deverá decidir sobre o veredito final. Além de Carvalho, outros 30 réus estão envolvidos no processo, que foi transferido para Bruxelas por questões de segurança.
Este caso não apenas destaca a complexidade do tráfico internacional de drogas, mas também a crescente colaboração entre as forças de segurança de diferentes países para combater essa prática criminosa. A expectativa é que o julgamento traga à tona mais detalhes sobre a operação e as conexões internacionais de Carvalho, revelando a extensão de sua influência no tráfico de cocaína.




