Em um comunicado que gerou controvérsia, o candidato derrotado nas eleições presidenciais do Peru, Roberto Sánchez, reconheceu a vitória de Keiko Fujimori, mas não deixou de mencionar as supostas irregularidades que marcaram o pleito. O anúncio foi feito após o Júri Nacional de Eleições (JNE) declarar oficialmente a vitória de Fujimori no início de junho. Apesar de reconhecer os resultados, Sánchez, que é presidente do Juntos pelo Peru, ressaltou que isso não significa renunciar ao direito de contestar o processo eleitoral. “A democracia exige respeitar a institucionalidade, mas também exige defender a verdade”, afirmou o político em seu comunicado.
A principal crítica de Sánchez se concentra nos votos emitidos no exterior, que foram cruciais para a vitória de Fujimori. Ele argumenta que, ao contrário do primeiro turno, os votos dos consulados não foram digitalizados antes de serem enviados ao Peru, o que, segundo ele, comprometeu a transparência do processo. Essa mudança, segundo o candidato, violaria as regras eleitorais, levando à anulação de milhares de votos. Fujimori venceu a eleição com uma margem apertada, obtendo 50,135% dos votos, enquanto Sánchez ficou com 49,865%.
Apesar das alegações de irregularidades, observadores tanto nacionais quanto internacionais não encontraram evidências de fraudes durante as eleições. A missão da União Europeia, em uma declaração preliminar, destacou que a campanha foi competitiva e as liberdades fundamentais foram respeitadas. “O dia das eleições foi ordeiro, com incidentes isolados, e a contagem de votos foi rápida e transparente”, afirmaram os observadores.
Na mesma declaração, a coalizão de Sánchez anunciou que, a partir do Congresso, fará um controle político rigoroso para defender os direitos fundamentais dos cidadãos. O novo Legislativo, que assume em breve, é fragmentado, com o partido de Keiko, o Força Popular, tendo a maior bancada. A coalizão de oposição se comprometeu a buscar restabelecer a confiança nas instituições e a garantir a transparência no governo.
A situação política no Peru continua tensa, com a polarização entre os apoiadores de Keiko e os de Sánchez. A expectativa é que as próximas semanas revelem como a nova administração lidará com as demandas da oposição e como isso afetará a governabilidade do país.




