O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma visita a Washington, onde participa de uma audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio afirmou que Lula deseja que os Estados Unidos imponham tarifas ao Brasil para obter ganhos políticos.
Flávio, que está nos EUA para discutir a aplicação de tarifas que podem chegar a 25% sobre produtos brasileiros, criticou a postura do presidente brasileiro. “O presidente simplesmente lavou as mãos e é o único no mundo que quer essa tarifação para as empresas brasileiras, acreditando que isso lhe trará retorno político”, disse o senador, referindo-se à investigação do USTR sobre práticas comerciais desleais do Brasil.
A declaração foi feita em conjunto com seu irmão, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado, e reflete a tensão entre os dois políticos e o governo Lula. O senador destacou que a corrupção é um dos fatores considerados pelos EUA na avaliação de tarifas, insinuando que o governo atual não combate efetivamente a corrupção.
Flávio também utilizou a oportunidade para defender o sistema de pagamentos Pix, que, segundo ele, está sendo atacado por interesses americanos. O USTR concluiu uma investigação que sugere que o Pix prejudica empresas dos EUA, levando à proposta de tarifas.
O governo brasileiro tem buscado negociar com os EUA desde o ano passado para evitar a imposição dessas tarifas. Lula, por sua vez, já chamou Flávio de “traidor da pátria” por instigar os EUA a agir contra os interesses brasileiros. A tensão entre os dois lados se intensificou após Flávio exibir um cartaz em defesa do Pix, em resposta a Lula, que também havia feito uma declaração sobre o sistema.
Em um documento enviado ao USTR, Flávio argumentou que as tarifas propostas afetariam interesses americanos e diminuiriam o espaço para diálogo entre os países. Ele sugeriu que os EUA suspendessem a aplicação das tarifas até as eleições brasileiras e ofereceu vantagens comerciais, como a eliminação de tarifas sobre o etanol.
Lula, em resposta, criticou a abordagem de Flávio, afirmando que é inaceitável que a família Bolsonaro busque submeter o Brasil aos interesses dos EUA. O presidente ressaltou que sempre buscará dialogar de forma igualitária com outras nações e que não há justificativa para a imposição de tarifas, nem agora nem depois das eleições.
Essa troca de acusações e a disputa sobre tarifas refletem a polarização política no Brasil, especialmente com as eleições presidenciais se aproximando. Flávio Bolsonaro, ao se posicionar contra Lula, busca consolidar sua imagem como um forte opositor e reforçar sua candidatura à presidência, enquanto Lula tenta manter sua base e a narrativa de soberania nacional.




