A instabilidade política no Peru se tornou uma constante na última década, marcada por uma sucessão de presidentes e crises. No entanto, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, finalmente conquistou a presidência em sua quarta tentativa, derrotando o esquerdista Roberto Sánchez por uma margem apertada de quase 50 mil votos, segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). Com 50,135% dos votos, Keiko se tornou presidente eleita em um cenário de polarização extrema, que já havia sido visível nas eleições de 2021, quando perdeu para Pedro Castillo, padrinho de seu adversário atual. O resultado deste ano foi visto como uma revanche, embora o processo eleitoral tenha sido novamente marcado por contestações e tentativas de anulação de votos. A divisão quase equilibrada dos votos antecipa um mandato desafiador para a nova presidente, que já enfrenta altas taxas de impopularidade. A rejeição à sua figura é alimentada pelo legado de seu pai, que governou o país de 1990 a 2000, período em que implementou um autogolpe que desmantelou o sistema político da época, levando o Peru a um estado de caos. Alberto Fujimori, condenado por crimes contra a humanidade e corrupção, faleceu em 2024, sem ver sua filha alcançar o cargo máximo do país. Apesar da resistência que enfrenta, Keiko é reconhecida por sua habilidade política, adquirida ao longo de anos de atuação no Congresso. Seu partido, Força Popular, se tornará a maior bancada na Câmara de Deputados e no Senado, o que pode lhe proporcionar uma base sólida para governar. Nascida em 1975 em Lima, Keiko sempre esteve próxima do poder, observando de perto a trajetória política de seu pai. Agora, como presidente, ela terá a responsabilidade de unir um país dividido, enquanto tenta navegar pelas complexidades do legado familiar e as expectativas de seus eleitores.




