A Polícia Federal deu início a uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master e seu ex-proprietário, Daniel Vorcaro. O foco da investigação recai sobre Jaques Wagner, atual líder do governo Lula no Senado, que é suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Na ação, realizada na quinta-feira (18), a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em várias localidades, incluindo a Bahia, São Paulo e o Distrito Federal, com autorização do ministro do STF, André Mendonça.
Durante a operação, foram encontrados US$ 55 mil e 33 mil euros, totalizando cerca de R$ 471 mil, em endereços associados ao senador. Em resposta, Wagner afirmou que não é réu e que não foi denunciado ou acusado em relação aos fatos investigados. A assessoria do senador alegou que os valores apreendidos são de diárias legais, devidamente declaradas e não utilizadas em missões internacionais.
A investigação se concentra em possíveis benefícios que Wagner teria recebido do grupo vinculado ao Banco Master, por meio de seu empresário, Augusto Lima, um ex-sócio de Vorcaro. Lima é considerado um elo crucial entre Wagner e o Banco Master. Ele ganhou destaque no setor financeiro ao criar o Credcesta, um cartão consignado voltado para servidores públicos, lançado em 2018, durante a gestão de Wagner como secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia.
A relação entre Wagner e Lima se estreitou ao longo dos anos, com o senador reconhecendo, em entrevista à Folha, que se tornaram amigos. A PF descreve essa relação como de “elevado grau de proximidade e confiança”. Esta fase da Operação Compliance Zero é notável, pois pela primeira vez envolve pessoas próximas ao governo atual. Anteriormente, o principal alvo político havia sido o senador Ciro Nogueira, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, que também é suspeito de ter recebido pagamentos de Vorcaro.
Além da apreensão de valores, a PF investiga duas frentes principais relacionadas a Wagner. A primeira diz respeito a um apartamento de R$ 2,45 milhões localizado no Horto Florestal, um bairro nobre de Salvador. Em novembro de 2024, Wagner teria encaminhado a Lima o contato de um gerente de construtora, mencionando o preço do imóvel. Seis meses depois, enviou uma mensagem a Lima sobre o apartamento, o que levanta suspeitas sobre a transação.
A defesa de Augusto Lima, em declaração à Folha, considerou as ações da PF desnecessárias, ressaltando que o empresário está à disposição das autoridades há seis meses. A investigação continua, e a PF busca esclarecer os laços entre os envolvidos e a origem dos recursos apreendidos.



