A primeira loja física da Shein, inaugurada em Paris em novembro do ano passado, pode encerrar suas atividades até o Natal. A decisão se deve a uma mudança na gestão do BHV, a loja de departamentos que abriga a marca chinesa. O grupo SGM, cofundado por Frédéric Merlin, anunciou que irá transferir o fundo de comércio do BHV Marais para a nova equipe de direção, que decidiu romper a parceria com a Shein, considerada polêmica por sua influência negativa no comércio local.
A abertura da loja foi marcada por protestos de ativistas, que criticaram a presença da Shein na capital francesa, associando-a à destruição do comércio tradicional. Desde a inauguração, várias marcas renomadas, como Dior e Guerlain, expressaram seu descontentamento e se afastaram do local.
Karl-Stéphane Cottendin, ex-diretor geral do BHV, reconheceu que a colaboração com a Shein foi um “erro estratégico” e confirmou que a marca deve deixar o espaço até o final do ano. O objetivo do novo gerenciamento é retornar ao foco original do BHV, que inclui a venda de produtos para o lar e a possibilidade de abrir um hotel.
O BHV enfrentou dificuldades financeiras antes de ser adquirido pelo grupo Galeries Lafayette em 2023 e, segundo Merlin, a operação não se sustentou devido à incapacidade de adquirir os imóveis da loja. A mudança também impacta outra unidade do BHV nas proximidades, mas não afeta as sete lojas restantes na França, que continuam sob a administração da SGM, sendo que cinco delas já receberam a Shein este ano.
Além disso, o Parlamento francês está debatendo uma proposta de lei que visa limitar o avanço da moda ultrarrápida, com foco em plataformas asiáticas como Shein e Temu, devido ao seu impacto ambiental e à concorrência desleal que representam. O ministro do Comércio, Serge Papin, anunciou que as marcas europeias, como Zara e H&M, estarão isentas das novas regulamentações, que incluem restrições significativas para empresas do setor.


