O árbitro australiano Shaun Evans se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais após um gesto controverso durante a transmissão da partida entre Alemanha e Curaçao, válida pela primeira rodada do grupo E da Copa do Mundo de 2026. Ao ser apresentado na cabine do VAR, Evans fez um sinal com a mão direita que, segundo especialistas, é associado à supremacia branca.
O gesto em questão consiste em unir as pontas do indicador e do polegar, enquanto os outros dedos são esticados. Essa configuração é interpretada como uma referência ao movimento racista, especialmente em países onde a extrema direita tem ganhado força. Os três dedos esticados representam a letra “w”, que alude à palavra “white” (branco), enquanto o círculo formado pelos dedos unidos simboliza a letra “p”, remetendo a “power” (poder). Juntas, essas letras formam a expressão “white power”.
Pesquisadores que estudam a simbologia da extrema direita afirmam que esse gesto tem sido utilizado como uma forma de comunicação codificada entre membros de grupos racistas, permitindo que se reconheçam sem expor suas intenções. O gesto pode ser facilmente mal interpretado como um simples sinal de “ok” por aqueles que não estão familiarizados com seu significado oculto.
A Liga Antidifamação, uma organização americana que monitora crimes de ódio, destaca que não se deve presumir automaticamente que qualquer pessoa que faça esse gesto esteja fazendo referência à supremacia branca. Essa nuance é importante em um contexto onde a comunicação não verbal pode ser mal interpretada.
Shaun Evans, que possui mais de 20 anos de experiência na arbitragem, é considerado um dos árbitros mais respeitados da Austrália. Ele foi eleito árbitro revelação do ano pela Federação Australiana de Futebol em 2007 e recebeu outros prêmios ao longo de sua carreira, incluindo o título de árbitro do ano em 2010 e na temporada 2018-19. Evans fez sua estreia como VAR em Copas do Mundo em 2022.
A FIFA, procurada para comentar o incidente, ainda não se manifestou até o fechamento desta matéria. O episódio levanta questões sobre a responsabilidade dos árbitros em eventos de grande visibilidade e a necessidade de uma maior conscientização sobre os símbolos que podem ser utilizados em contextos esportivos.




