A fabricante chinesa XCMG, reconhecida por sua atuação no setor de veículos pesados, fechou um acordo significativo no Brasil, envolvendo a venda de 251 caminhões elétricos para a transportadora de grãos Navarini. O negócio, que totaliza R$ 500 milhões, reforça o crescente interesse da China no mercado automotivo brasileiro, especialmente em um momento em que países como os Estados Unidos e a União Europeia impõem barreiras à importação desses veículos.
O contrato foi assinado em Xuzhou, na China, e o modelo escolhido para a operação foi o E7-95T, um caminhão projetado para o transporte rodoviário com um Peso Bruto Total (PBT) de 74 toneladas, capaz de tracionar até 120 toneladas. Esses veículos elétricos serão utilizados para o transporte de produtos agrícolas em longas distâncias, destacando-se como uma solução sustentável e eficiente para o agronegócio.
Esse acordo é considerado um dos maiores do Brasil no segmento de caminhões elétricos. Em 2020, a Volkswagen Caminhões e Ônibus já havia realizado uma operação notável com a Ambev, envolvendo 1.600 unidades do e-Delivery. Para Hilário Matzenbacher, executivo da XCMG responsável pelo desenvolvimento do negócio, o projeto vai além da simples venda de caminhões. “Após meses de trabalho e testes em condições reais, conseguimos unir produtividade, eficiência operacional e sustentabilidade”, afirmou.
Luis Fernando Navarini, fundador da transportadora, destacou que a aquisição é parte de um projeto iniciado em 2024, quando a empresa decidiu eletrificar sua frota. “Nosso objetivo nunca foi apenas comprar caminhões elétricos, mas mudar a cultura do transporte no Brasil e provar que a eletrificação funciona em condições desafiadoras”, declarou.
O fechamento deste negócio reflete uma tendência crescente no mercado global de veículos comerciais. De acordo com dados do Conselho Internacional de Transporte Limpo, as vendas de caminhões e ônibus elétricos quase dobraram em 2025, com a China liderando esse crescimento. No ano passado, mais de meio milhão de unidades foram comercializadas globalmente, com um aumento de 86% em relação ao ano anterior.
No entanto, a expansão da infraestrutura de recarga para veículos pesados ainda enfrenta desafios. Embora o Brasil conte com cerca de 30 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos, a maioria desses equipamentos é voltada para veículos leves, o que limita a adoção em massa de caminhões elétricos. Na Europa, por exemplo, o Conselho Internacional de Transporte Limpo aponta que existem apenas 4.300 pontos de recarga para caminhões, muito aquém do necessário para atender à demanda projetada até 2030, que requer cerca de 50 mil carregadores.
Fundada em 1989, a XCMG começou como fabricante de máquinas de construção e, posteriormente, se consolidou como montadora de caminhões. A empresa chegou ao Brasil em 2004 e, em 2014, inaugurou sua fábrica em Pouso Alegre, Minas Gerais. Com a recente venda, a XCMG reafirma seu compromisso com a inovação e a sustentabilidade no setor de transporte, alinhando-se às tendências globais de eletrificação e eficiência energética.


