Em um depoimento à Polícia Federal, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou que está preso injustamente e que não cometeu fraudes relacionadas ao Banco de Brasília (BRB). Durante a oitiva, que durou cerca de duas horas e meia, Vorcaro pediu o arquivamento do inquérito que o investiga por crimes financeiros e declarou que funcionários do Banco Central serão responsabilizados por supostos prejuízos que ele teria sofrido.
O depoimento ocorreu no dia 15 de setembro e, segundo Vorcaro, a pressão sobre sua situação é intensa. Ele destacou que, apesar das circunstâncias, a verdade acabará sendo revelada. “Eu não fiz fraude nenhuma com o BRB, eu não lesei em nada o BRB. Ao contrário, coloquei ativos meus lá”, afirmou. O ex-banqueiro, que se encontra detido na Papudinha, um batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master.
Vorcaro reiterou que não cometeu irregularidades na venda de carteiras de crédito ao BRB e expressou que sua vida e a de sua família foram profundamente afetadas pela situação. Ele mencionou que “uma hora a verdade vai aparecer” e que os responsáveis no Banco Central também terão que responder por suas ações.
Recentemente, a Polícia Federal indiciou Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros relacionados à venda de carteiras de crédito ao banco estatal. As acusações contra Vorcaro incluem gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A defesa do ex-banqueiro classificou o indiciamento como apressado e sem fundamentos sólidos, argumentando que as conclusões apresentadas na investigação ainda não estão consolidadas.
O advogado de Paulo Henrique Costa, Davi Tangerino, também criticou o trabalho da Polícia Federal, afirmando que os fatos foram submetidos a hipóteses acusatórias sem a devida investigação inversa. O relatório da Polícia Federal, que possui mais de 700 páginas, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e sugere que os elementos coletados são compatíveis, em tese, com a participação em atos de gestão fraudulenta no BRB.
A situação de Vorcaro continua a gerar polêmica e debate, levantando questões sobre a responsabilidade de instituições financeiras e a integridade das operações bancárias no Brasil. O caso segue em apuração, e novos desdobramentos são esperados nos próximos dias.



