A volta às aulas em La Guaira, na Venezuela, é marcada por um clima de incerteza e medo após os devastadores terremotos que atingiram a região em junho, resultando na morte de mais de 6.500 pessoas. Com dezenas de escolas danificadas e outras transformadas em abrigos, muitos pais hesitam em enviar seus filhos para a escola. A Unidade Educacional Diocesana João Paulo 2º, uma das poucas instituições abertas na área, possui capacidade para 800 alunos, mas apenas cerca de 300 se matricularam. O diretor Marco Antonio Espinoza destaca a importância de um retorno gradual e seguro, levando em consideração o aspecto socioemocional dos alunos e da equipe. “É normal sentirmos medo, ainda mais com as mais de 2.000 réplicas dos tremores que já tivemos”, afirma. Para muitos, a necessidade de continuar a vida é urgente. Amni Núñez, um engenheiro industrial de 40 anos, levou seus filhos de volta às aulas, ressaltando que “eles precisam dessa forma de dizer que o mundo continua”. Em contrapartida, a professora Yanet Domínguez relata que apenas sete crianças estavam presentes em sua sala na última terça-feira (15), e muitos pais expressaram preocupações sobre a segurança das estruturas escolares. No entanto, a esperança persiste. Em uma pequena escola improvisada, professores tentam ajudar as crianças a retomar a rotina normal. María Herrera, uma professora de 43 anos, observa que os alunos ainda estão sensíveis e frequentemente trazem à tona suas experiências traumáticas. A líder interina do país, Delcy Rodríguez, anunciou que mais de 6 milhões de estudantes retornaram às aulas em todo o país, mas a situação em La Guaira reflete os desafios enfrentados por muitos. Com a infraestrutura comprometida e o medo persistente, a volta às aulas se torna um ato de coragem e resiliência para as famílias da região.



