Uma pesquisa recente realizada pela Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), aponta que a maioria dos brasileiros é favorável à classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida, que foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos, é vista com resistência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com os dados, 60% dos entrevistados apoiam essa classificação, enquanto 29% se opõem e 11% não souberam ou preferiram não responder. A decisão dos Estados Unidos, no entanto, gera divisões, com 45% dos brasileiros a favor e 45% contra.
A pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 8 de junho em 120 municípios, apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%. O registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é feito sob o número BR-07661/2026. A maioria dos entrevistados (63%) já tinha conhecimento da decisão antes da pesquisa, enquanto 36% souberam durante a entrevista.
A influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão também foi um ponto abordado, com 47% dos entrevistados acreditando que ele teve algum papel, enquanto 37% discordam e 16% não souberam responder. O apoio à classificação das facções como terroristas reflete a crescente preocupação dos brasileiros com a violência, que agora supera temas como corrupção e economia, impulsionada por casos de assassinatos, confrontos armados e tráfico de drogas.
A classificação proposta pelos Estados Unidos considera o PCC e o CV como organizações de alcance transnacional, representando uma ameaça à segurança regional. Com isso, seriam ampliados os mecanismos para aplicação de sanções financeiras, congelamento de ativos e punições a pessoas ou empresas que apoiem essas facções.
Por outro lado, o presidente Lula argumenta que essa medida afeta a soberania nacional e defende que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação entre países, sem interferências externas. Ele ressalta que a legislação brasileira define terrorismo como atos motivados por razões políticas, ideológicas ou religiosas, características que, segundo ele, não se aplicam às ações do CV e do PCC, que continuariam a ser consideradas organizações criminosas.
A pesquisa da Quaest evidencia a complexidade do debate sobre segurança pública no Brasil, onde a classificação das facções como terroristas pode ter implicações significativas na forma como o país lida com o crime organizado e suas consequências sociais.




