A sessão da Câmara Municipal de Curitiba, realizada na última quarta-feira (5), foi marcada por um intenso bate-boca entre as vereadoras Tathiana Guzella (PL) e Vanda de Assis (PT), que culminou em acusações de xenofobia. O desentendimento ocorreu durante a discussão de um projeto de lei que visa o cadastro de pessoas em situação de rua, proposto pelo vereador João Bettega (PL). Vanda, que se manifestou primeiramente sobre a proposta, questionou a necessidade de um projeto para uma função que, segundo ela, já é competência da Fundação de Ação Social (FAS). “Temos que conversar sobre garantia de direitos, papel da FAS, prefeito e também do vereador. Já é atribuição da FAS fazer esse cadastro das pessoas em situação de rua. A pergunta é: precisa o vereador, sabendo da competência da FAS, criar um projeto para vir dizer o que eles precisam fazer? Estão se utilizando desse problema”, destacou a vereadora petista. Em resposta, Tathiana lançou uma provocação sobre a origem de Vanda, que é natural do Ceará, mas reside em Curitiba há 30 anos. “Se a senhora gosta tanto de proteger, de elogiar o PT e os partidos ligados ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui”, disparou a vereadora do PL. A reação de Vanda foi imediata. Ela acusou Tathiana de xenofobia, afirmando que essa prática é um crime e que tomaria as devidas providências legais. “Essa prática de dizer ‘por que a pessoa veio para cá?’ é xenofobia. Xenofobia é crime, e a senhora será representada por isso. Isso não cabe, e eu não aceitarei nenhuma prática xenofóbica, nem comigo nem com ninguém que decidiu morar em Curitiba”, afirmou. Após o ocorrido, Tathiana se defendeu em vídeo nas redes sociais, alegando que sua intenção não era ser xenofóbica. Segundo ela, a provocação tinha como objetivo sugerir que Vanda retornasse ao Ceará para constatar que as políticas de esquerda que ela defende não funcionaram. “E essa comparação leva em consideração dados reais, sendo esses inclusive o motivo da minha crítica que eu não pude terminar. Eu sou migrante de Santa Catarina e sempre falo isso aqui e defendi muitas vezes o povo nordestino vítima do Partido dos Trabalhadores lá no Ceará. Querem me calar, mas não vão”, declarou. Vale lembrar que Tathiana também não é natural do Paraná, sendo originária de Caçador, em Santa Catarina. Ela é casada com o deputado estadual Delegado Tito Barichello (União) e possui um histórico na Polícia Civil, além de um mestrado em Direito Penal. Durante sua campanha, defendeu a adoção de equipamentos de reconhecimento facial nas escolas de Curitiba.



