As companhias aéreas brasileiras, incluindo Azul, Gol e Latam, enfrentam um aumento significativo em seus custos operacionais, com um gasto extra de R$ 5,2 bilhões desde o início da guerra no Irã, em fevereiro. O levantamento foi feito pela Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) e atribui essa elevação aos impactos da alta nos preços internacionais do petróleo, que resultaram em um aumento de 49% no custo do querosene de aviação (QAV). O último reajuste, anunciado pela Petrobras no dia 1º de outubro, elevou o preço do QAV em 1,9%, intensificando ainda mais a pressão sobre as finanças das companhias.
O combustível, que antes representava 32% dos custos operacionais, agora corresponde a 39%, um aumento que reflete diretamente na estratégia das empresas. Entre março e maio, o preço do QAV chegou a dobrar, levando as companhias a reavaliar suas projeções de voos e operações. Em maio, por exemplo, as empresas desembolsaram cerca de R$ 1,6 bilhão a mais do que o previsto, um montante que, segundo a Abear, seria suficiente para cobrir o custo de arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves, número que supera a frota total em operação no Brasil, que é de cerca de 500 aviões.
Esses dados foram apresentados em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, onde representantes do setor expressaram suas preocupações em relação à situação. Em resposta às reclamações, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço do querosene vendido às distribuidoras em junho, uma tentativa de aliviar a pressão sobre as companhias aéreas. No entanto, a política de preços da estatal, que é baseada na paridade internacional, continua a repassar as oscilações do mercado externo para o mercado doméstico, mesmo com o Brasil produzindo cerca de 80% do querosene que consome.
A Abear ressalta que, apesar da produção local, os preços do QAV seguem as flutuações do mercado internacional, o que gera um impacto significativo nas operações das companhias aéreas. A associação defende que a política de preços da Petrobras, embora funcione como um amortecedor de curto prazo, não é suficiente para evitar os efeitos da volatilidade do mercado global sobre os custos das empresas brasileiras. Essa situação levanta questões sobre a sustentabilidade econômica do setor aéreo em um cenário de incertezas geopolíticas e flutuações nos preços dos combustíveis, que podem afetar não apenas as companhias, mas também os consumidores que dependem do transporte aéreo.



