A manhã desta terça-feira (14) trouxe novos desdobramentos na investigação sobre o assassinato de Lavignia Gabrielly Guimarães Coutinho, de apenas 20 anos. A Polícia Civil deflagrou a Operação Elo Oculto, resultando na prisão temporária do vereador de Poxoréu, Túlio César, do partido Republicanos. Além disso, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Poxoréu, Primavera do Leste e Canarana, marcando uma nova fase do inquérito que visa esclarecer todos os envolvidos no homicídio da jovem, que foi morta a tiros dentro de uma casa noturna no dia 10 de maio.
Durante uma entrevista coletiva na Delegacia Regional de Primavera do Leste, o delegado Honório Neto destacou que as novas medidas judiciais são frutos do avanço das investigações iniciadas imediatamente após o crime. Segundo o delegado, Lavignia foi executada com pelo menos cinco disparos de arma de fogo, todos direcionados a regiões vitais do corpo. “Era uma jovem de apenas 20 anos. Ela foi executada dentro de uma casa noturna com pelo menos cinco disparos, todos na face e no tórax. Inclusive, alguns tiros foram efetuados quando a vítima já estava caída ao solo, demonstrando de forma muito clara que se tratava de uma execução”, declarou.
O delegado explicou que, após a instauração do inquérito, diversas diligências foram realizadas, incluindo o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na residência do vereador, no início de junho. A análise do material coletado e dos relatórios permitiu identificar pessoas que poderiam ter informações relevantes ou possível participação no homicídio. “Com base nesses elementos, conseguimos identificar algumas pessoas que pudessem ter algum tipo de informação e envolvimento nesse homicídio. Representamos por novas buscas e pela prisão temporária de um dos investigados”, afirmou.
A prisão temporária do vereador tem validade inicial de 30 dias. Honório Neto ressaltou que o parlamentar será ouvido apenas ao final das diligências, respeitando a estratégia da investigação e o direito de defesa do investigado. “Nós só faremos o interrogatório dele ao final da investigação. Primeiro vamos concluir todas as diligências. Havendo elementos suficientes, ele será interrogado e, se for o caso, indiciado”, explicou. A audiência de custódia do vereador estava prevista para a tarde desta terça-feira.
A Polícia Civil também investiga a possível motivação do crime, que estaria relacionada a uma facção criminosa atuante na região. A suspeita é de que Lavignia tenha sido confundida com uma informante das forças de segurança, uma vez que sua mãe trabalhava na base da Polícia Militar de Poxoréu e, ocasionalmente, ela acompanhava a mãe no local. “A possível motivação desse homicídio foi o envolvimento de uma organização criminosa. A mãe da vítima trabalhava no batalhão da Polícia Militar e a jovem às vezes comparecia ao local. Por conta dessa desconfiança, teria sido decretada a morte dela”, afirmou o delegado. A forma como o crime foi praticado reforça a hipótese de execução planejada, com disparos efetuados mesmo após a vítima já estar caída.
As investigações já apresentaram resultados significativos antes da operação desta terça-feira. Poucos dias após o crime, um dos suspeitos foi localizado e preso em Rondonópolis, enquanto outro investigado morreu em confronto com a Polícia Militar durante diligências relacionadas ao caso. No início de junho, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca na residência de Túlio César, que na ocasião negou qualquer participação no homicídio e se declarou à disposição para colaborar com a Justiça.
A Operação Elo Oculto envolveu a expedição de oito ordens judiciais, incluindo sete mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, todos cumpridos simultaneamente. Durante as buscas, os policiais procuraram documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a dinâmica do crime e identificar outros possíveis envolvidos. O nome da operação, Elo Oculto, refere-se às conexões que a Polícia Civil busca comprovar entre os investigados, a execução da jovem e os eventos posteriores ao homicídio. O inquérito segue sob sigilo, e a Polícia Civil pretende concluir as diligências, ouvir os investigados e definir a responsabilização criminal de cada um dos envolvidos no assassinato de Lavignia Gabrielly.




