A Venezuela e Israel anunciaram nesta terça-feira (11) a retomada dos serviços consulares, marcando um passo significativo rumo à normalização das relações diplomáticas, que estavam rompidas desde 2009. A informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, que destacou a importância da “cooperação técnica bilateral” entre os dois países.
As relações diplomáticas foram interrompidas em janeiro de 2009, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador israelense em Caracas, em resposta a uma ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza. Desde então, a separação diplomática se manteve, apesar de algumas iniciativas de cooperação humanitária, como a ajuda enviada por Israel após os devastadores terremotos que atingiram o norte da Venezuela em junho, resultando em mais de 6.300 mortos.
A reaproximação entre Venezuela e Israel ocorre em um contexto político delicado, com Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, enfrentando pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos. O comunicado do Ministério das Relações Exteriores, assinado pelo ministro Félix Plasencia, informou que os dois países concordaram em estabelecer um mecanismo de coordenação para a prestação de serviços consulares, além de continuar a cooperação técnica relacionada aos esforços de recuperação após os terremotos.
Recentemente, Plasencia se reuniu com o rabino-chefe da Associação Israelita da Venezuela, Isaac Cohen, que solicitou o restabelecimento das relações para atender às necessidades da comunidade judaica local, que conta com cerca de 6.000 membros, segundo o Congresso Judaico Mundial. Essa comunidade tem enfrentado desafios significativos nos últimos anos, especialmente em meio ao clima de hostilidade em relação a Israel promovido pelos governos de Chávez e Maduro, que sempre defenderam a Palestina como um Estado legítimo.
A reaproximação, no entanto, não é bem recebida por todos. Setores radicais do chavismo já expressaram descontentamento com a aproximação com Israel, e no dia 24 de julho, cerca de uma centena de apoiadores de Maduro protestaram contra essa nova dinâmica, queimando bandeiras dos EUA e de Israel. Essa divisão interna pode complicar ainda mais a situação política da Venezuela, que já enfrenta uma grave crise econômica e humanitária.
Em meio a esse cenário, a Venezuela também tem buscado fortalecer laços com o Irã, um aliado próximo que tem colaborado em diversas áreas, incluindo petróleo, em meio a sanções e bloqueios impostos pelos Estados Unidos. A normalização das relações com Israel pode ser vista como uma tentativa de diversificar as alianças do país e buscar novas fontes de apoio em um momento crítico.



