Um estudo recente publicado na revista médica The Lancet aponta que o uso malicioso da inteligência artificial (IA), incluindo o desenvolvimento de armas biológicas, e a iminência de uma guerra nuclear estão entre as ameaças que podem levar à extinção da humanidade até 2100. A avaliação, que reúne 17 grandes riscos à saúde humana, foi apresentada durante a Cúpula Mundial da Saúde, realizada em Berlim, na Alemanha.
Os especialistas que compõem a Comissão Lancet sobre Ameaças Globais à Saúde no Século 21, formada por 35 profissionais, destacaram que as ameaças identificadas estão interligadas e devem ser enfrentadas de maneira conjunta. Além da IA e da guerra nuclear, o relatório menciona outros riscos significativos, como mudanças climáticas, pandemias, resistência antimicrobiana, desnutrição infantil e cortes na ajuda internacional.
Um dos cenários alarmantes discutidos no relatório é que uma guerra nuclear poderia resultar em uma fome global. Isso ocorreria devido à liberação de partículas na atmosfera, que bloqueariam a luz solar e, consequentemente, afetariam a produção de alimentos. A possibilidade de desenvolvimento de armas biológicas com a ajuda da IA também é um fator de preocupação crescente.
O editorial que acompanha o estudo enfatiza a gravidade das consequências que esses eventos podem acarretar. “A escala dos danos, caso se concretizem, infligiria um apocalipse à humanidade”, alerta o texto.
Para mensurar as ameaças, os pesquisadores utilizaram uma métrica conhecida como anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, na sigla em inglês), que estima quantos anos de vida saudável podem ser perdidos devido a doenças, incapacidades e mortes prematuras. Entre as ameaças consideradas catastróficas, que poderiam resultar em mais de 1 bilhão de DALYs acumulados, estão a poluição do ar, a resistência antimicrobiana, o colapso climático, os conflitos convencionais, a obesidade e os problemas de saúde mental.
Ibrahim Abubakar, membro da comissão e professor de epidemiologia de doenças infecciosas da University College London, enfatizou que o objetivo do relatório não é alarmar, mas sim informar. “Estamos partindo da premissa de que, se você é um formulador de políticas hoje, seja no nível multilateral global ou no nível nacional, essas são as ameaças potenciais que você pode enfrentar, e essa é a magnitude com que, se você agir, poderá realmente fazer a diferença.”
Christopher Murray, copresidente da comissão e diretor do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington, reforçou a importância das decisões tomadas pelos líderes atualmente. “As decisões tomadas pelos líderes hoje moldarão a saúde e o bem-estar da próxima geração”, concluiu.



