A União Europeia (UE) anunciou uma mudança significativa em sua relação com o Canadá, ao deixar de lado o termo “membro associado” em favor de uma “associação sem adesão”. A decisão foi tomada em meio a uma visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do líder do Conselho Europeu, António Costa, a Montreal, onde o foco é aprofundar os laços já existentes entre o bloco europeu e o país da América do Norte. A proposta de transformar o Canadá em membro associado foi considerada inaceitável por alguns países europeus, liderados pela Alemanha, que levantaram objeções durante o processo de consulta entre os 27 membros da UE.
Durante um discurso em setembro no Parlamento Europeu, Von der Leyen havia introduzido a ideia de um membro associado ao Canadá, uma proposta que agora foi reformulada. “Nossa ideia é simples: trata-se de uma associação sem adesão”, afirmou a presidente da Comissão Europeia. Ela destacou que essa nova abordagem poderia criar uma parceria mais próxima do que qualquer outra iniciativa já realizada com o Canadá.
A reação de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, foi negativa, chamando a proposta de “ridícula” e ameaçando impor novas tarifas ao Canadá. Apesar da pressão externa, Von der Leyen optou por não insistir na nomenclatura anterior. Em uma tentativa de evitar mais controvérsias, um rascunho da declaração final foi submetido a um processo de silêncio, onde a ausência de resposta dos países-membros é considerada como aprovação.
Entretanto, a oposição ao termo “membro associado” foi expressa por países como Alemanha, França, Itália e Grécia, que argumentaram que a nomenclatura não tinha respaldo legal. Diplomatas afirmaram que a discussão deveria se concentrar no conteúdo da parceria com o Canadá, e não em sua designação. A resistência da Alemanha foi particularmente notável, com Berlim liderando o movimento de rejeição, enfatizando que o foco deveria ser nas implicações práticas da parceria, e não em rótulos.
Essa não é a primeira vez que Ursula von der Leyen enfrenta críticas por anunciar políticas sem consultar previamente as capitais dos países-membros. Em 2023, ela firmou um acordo com a Tunísia para conter a imigração ilegal sem seguir os protocolos estabelecidos de consulta e aprovação. A falta de diálogo prévio tem gerado tensões dentro da UE, refletindo a complexidade das relações internacionais e a necessidade de um consenso mais robusto entre os membros do bloco.
Apesar das contestações, a mensagem de Von der Leyen ao chegar em Montreal ainda incluía o termo “membro associado”, indicando que a comunicação sobre a nova parceria ainda precisa ser ajustada para refletir a realidade política atual. A situação revela as nuances e desafios enfrentados pela UE em sua busca por uma maior integração com países fora do bloco, especialmente em um contexto global em constante mudança.



