O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, está intensificando sua oposição a projetos de energia eólica, o que pode comprometer um acordo crucial sobre licenciamento. Recentemente, o governo solicitou a revisão das autorizações para três parques eólicos offshore localizados nas costas de Rhode Island, Maryland e Massachusetts. As petições, apresentadas à Justiça federal, alegam que a administração Biden não considerou adequadamente os impactos potenciais dos projetos sobre a vida marinha, a indústria pesqueira e a paisagem costeira. Além disso, os pedidos pedem que os projetos sejam devolvidos ao Departamento do Interior.
Essas ações ocorrem mesmo após indícios de que Trump poderia amenizar sua postura contra a energia renovável, buscando apoio dos democratas para um projeto de lei sobre licenciamento que estava em discussão. O Bipartisan American Affordability and Jobs Act, que visa acelerar a aprovação de projetos de infraestrutura, foi apresentado no final de setembro e poderia facilitar a continuidade de empreendimentos de energia renovável.
John Miller, analista de políticas de transição energética da TD Cowen, expressou preocupação com a situação, afirmando que a movimentação do governo é um sinal negativo para o projeto de lei. “Os democratas tinham a impressão de que havia um acordo informal”, disse ele. O Departamento de Justiça está pedindo aos tribunais que reconsiderem as autorizações para três projetos específicos: Revolution Wind, da dinamarquesa Ørsted; Maryland Offshore Wind, da US Wind; e New England Wind, da Avangrid. O Revolution Wind, por exemplo, está programado para atingir sua capacidade comercial total até o final de 2026, enquanto os outros dois ainda não começaram a ser construídos.
Os pedidos de revisão foram apresentados em resposta a ações judiciais movidas por grupos opositores aos empreendimentos, incluindo o Green Oceans, de Rhode Island, e a cidade de Ocean City, em Maryland. Esta não é a primeira vez que Trump altera sua posição em relação à energia renovável. Em abril do ano passado, seu governo suspendeu as obras do projeto Empire Wind, na costa de Nova York, mas reverteu a decisão após negociações com autoridades estaduais.
Além disso, o governo já havia bloqueado outros projetos, citando preocupações de segurança nacional, mas acabou sendo derrotado na Justiça. No ano passado, o Pentágono atrasou a aprovação de centenas de projetos de energia eólica terrestre, alegando riscos à segurança nacional devido a interferências nos radares. Apesar de alguns avanços, como a autorização de dois projetos de energia eólica terrestre, muitos outros permanecem paralisados.
Jason Grumet, presidente-executivo da American Clean Power Association, destacou a importância de o governo respeitar a legislação vigente para garantir a aprovação do projeto de lei sobre licenciamento. Recentemente, a Casa Branca anunciou a aprovação de dois projetos de energia eólica terrestre, mas também emitiu uma declaração ressaltando que a energia eólica apresenta riscos únicos à segurança nacional em comparação com outras fontes de energia.
O senador Martin Heinrich, um dos copatrocinadores do projeto de lei, expressou sua satisfação com os avanços, mas enfatizou que ainda há centenas de projetos eólicos que precisam ser liberados. A administração Trump, por sua vez, rejeitou as alegações de que não estava agindo de boa-fé, afirmando que as petições apresentadas estão dentro dos prazos judiciais estabelecidos. No entanto, críticos questionam a cronologia das ações, sugerindo que o governo está utilizando os pedidos judiciais como uma forma de pressão sobre a legislação em andamento.
A situação atual levanta preocupações sobre o futuro da energia renovável nos Estados Unidos e a capacidade do governo de encontrar um equilíbrio entre a segurança nacional e o avanço de projetos sustentáveis.




