O cientista político americano Jules Boykoff, em entrevista à Folha, analisa a estratégia do governo Donald Trump em relação à Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos. Segundo ele, a administração atual busca desviar a atenção da população dos problemas internos, como a baixa popularidade, ao restringir a entrada de participantes no evento esportivo. Boykoff, que também é ex-jogador da seleção americana, destaca que essa abordagem reflete uma prática conhecida como “sportswashing”, onde o esporte é utilizado para encobrir questões políticas e sociais. O acadêmico, que é autor do livro “Red Card: The 2026 World Cup, Sportswashing, and the FIFA Greed Machine”, argumenta que, em vez de aproveitar a Copa como uma ferramenta de soft power, os EUA estão utilizando o evento para reforçar uma cultura de segurança e exclusão. O ex-atleta, que jogou contra o Brasil no Torneio de Toulon em 1990, expressa sua preocupação com as políticas de imigração do governo Trump, que, segundo ele, contradizem o espírito da Copa do Mundo. “As políticas de exclusão colidem fortemente com a ideia de que o futebol une o mundo”, afirma Boykoff, ressaltando que a situação atual está dividindo os torcedores em vez de uní-los. Sobre a falta de ação da FIFA em relação às restrições de entrada, Boykoff sugere que a parceria entre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e Trump tem silenciado a entidade. “A FIFA não tem mais a influência que já teve e parece ter aberto mão de sua voz crítica em relação a essas questões”, comenta. A análise de Boykoff é um alerta sobre como grandes eventos esportivos podem ser usados como ferramentas políticas, especialmente em um contexto eleitoral. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, a estratégia do governo Trump pode ter implicações significativas não apenas para a Copa do Mundo, mas também para a política interna dos Estados Unidos.




