A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou, na última sexta-feira (14), uma nova política de elegibilidade que impede a participação de atletas trans em competições femininas. A decisão marca uma mudança significativa em relação à postura anterior da confederação, que permitia a presença de jogadoras trans, desde que se submetessem a tratamentos hormonais para manter os níveis de testosterona abaixo de 5 nmol/L, conforme as diretrizes da Federação Internacional de Medicina do Esporte (FIMS). Com essa nova regra, a ponteira Tifanny Abreu, do time Osasco, não poderá mais competir em torneios femininos. A atleta, que já enfrentou polêmicas em sua carreira, não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Em fevereiro deste ano, sua participação na Copa do Brasil foi inicialmente barrada por vereadores de Londrina, mas a decisão foi revertida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota oficial, a CBV afirmou que a mudança se alinha com o cenário regulatório internacional e a necessidade de adequação aos critérios aplicáveis às competições nacionais. A confederação destacou que a nova política segue as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e da Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV). A partir de agora, a elegibilidade na categoria feminina será restrita a atletas do sexo biológico feminino, com verificação por meio de testagem e triagem do gene SRY, uma norma aprovada em setembro de 2025 e já aplicada na Liga das Nações. A decisão da CBV gerou reações negativas de grupos LGBTQIA+ e defensores dos direitos humanos, que criticam o endurecimento das regras sobre a participação de mulheres trans em competições esportivas. Nos últimos anos, várias federações internacionais, como World Aquatics (natação), World Athletics (atletismo) e UCI (ciclismo), também implementaram normas mais rígidas. Essas medidas são justificadas por alegações de que a presença de atletas trans poderia oferecer vantagens competitivas em relação às atletas cis, devido à exposição à testosterona durante a fase de transição. No entanto, especialistas apontam que ainda não há consenso acadêmico sobre a existência de tais vantagens. A nova política da CBV reflete um movimento mais amplo no esporte, onde a discussão sobre a inclusão e a equidade de gênero continua a gerar debates acalorados e divisões entre diferentes grupos. A aplicação dessas regras poderá ter impactos significativos na carreira de atletas trans e na dinâmica das competições femininas.




