Post: Proposta de dois dias de folga na semana é rara até em países com jornadas menores, aponta estudo

trabalho - Estudo revela que a proposta de dois dias de folga na semana é rara, mesmo em países com jornadas menores.
Proposta de dois dias de folga na semana é rara até em países com jornadas menores, aponta estudo

A recente aprovação na Câmara dos Deputados da proposta que estabelece dois dias de folga por semana, em substituição à atual escala 6×1, é um movimento que, segundo pesquisa do economista Daniel Duque para o Centro de Liderança Pública (CLP), não encontra paralelos em muitos países, mesmo aqueles que possuem jornadas de trabalho inferiores à do Brasil. A mudança, que também prevê a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, agora aguarda análise no Senado.

O foco da pesquisa de Duque não é apenas a diminuição da carga horária, mas a obrigatoriedade de dois dias consecutivos de descanso. O levantamento abrange 21 países e revela que a prática mais comum é a de um dia ou um dia e meio de folga (36 horas de descanso). Para Duque, essa proposta coloca o Brasil em um território desconhecido, uma vez que não há evidências claras sobre os impactos de uma semana de trabalho com dois dias de folga obrigatórios.

Um dos poucos exemplos que se aproximam do modelo 5×2 é a Argentina, onde a legislação exige um tempo de descanso consecutivo, mas ainda permite semanas com apenas um dia de trabalho. Em contrapartida, países como a França, que têm uma carga legal de 35 horas, permitem que essa carga seja distribuída em seis dias, mostrando que mesmo com jornadas menores, a obrigatoriedade de dois dias de folga não é uma norma.

Duque destaca que a adoção de uma escala 5×2 traz tanto benefícios quanto desvantagens. Embora os trabalhadores ganhem um dia extra de folga, isso pode resultar em jornadas diárias mais longas. Com a carga de 40 horas distribuídas em cinco dias, a média seria de 8 horas por dia, enquanto em uma escala de seis dias, a média cairia para 6 horas e 40 minutos.

O economista não acredita que a proposta, caso aprovada, resultará em um desastre econômico, mas alerta que haverá efeitos sobre a produção e o mercado de trabalho. Ele observa que as rotinas de trabalho variam e nem todos preferem jornadas mais longas com mais dias de folga. Por exemplo, muitas mães precisam de flexibilidade para buscar seus filhos na escola, e a atual escala 6×1 oferece uma oportunidade para isso.

Além disso, Duque menciona que países que implementaram mudanças em suas escalas de trabalho geralmente o fizeram com períodos de transição mais longos, como é o caso da Colômbia e do México, que estipularam prazos de adaptação de 2 a 5 anos. Essa abordagem gradual pode ser uma alternativa a ser considerada no Brasil, caso a proposta avance no Senado.

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