Post: Fim da escala 6×1 promete ampliar oportunidades para mulheres no mercado de trabalho

Fim da escala 6x1 pode ampliar oportunidades para mulheres no mercado de trabalho, segundo a ministra Márcia Lopes.
Fim da escala 6x1 promete ampliar oportunidades para mulheres no mercado de trabalho

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defende que o fim da escala de trabalho 6×1, que limita as folgas a apenas um dia por semana, representa uma mudança necessária para o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. Segundo ela, essa alteração é uma “exigência do nosso tempo” e permitirá que as mulheres cuidem melhor de sua saúde e de suas relações familiares.

“Elas vão cuidar melhor da saúde, das relações familiares, territoriais. Eu não tenho dúvida que é uma exigência do nosso tempo o fim da escala 6×1”, afirmou Lopes.

Impacto nas relações de trabalho

O debate sobre a mudança na jornada de trabalho ocorre em um momento em que o Congresso Nacional analisa o Projeto de Lei (PL) 1838/2026, que visa reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. O governo Lula solicitou urgência na tramitação do PL, que ainda aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Além disso, tramitam na Câmara duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC), que também abordam o fim da escala 6×1. Recentemente, a Casa legislativa instaurou uma comissão especial para analisar essas propostas.

Desafios enfrentados pelas mulheres

A ministra Lopes destaca que as mulheres são as mais afetadas pela jornada de trabalho 6×1. Ela ressalta que, historicamente, as mulheres enfrentam a sobrecarga de trabalho, acumulando funções remuneradas e não remuneradas, como cuidar da casa e dos filhos.

“Às mulheres, historicamente, foi imputado a elas, dupla, tripla jornadas de trabalho. A elas sempre coube, além do trabalho remunerado, uma grande parte do seu tempo com trabalho não remunerado”, explica.

Para ela, o fim da escala 6×1 não apenas alivia essa carga, mas também melhora a empregabilidade das mulheres, contribuindo para a redução da desigualdade de gênero no mercado de trabalho.

“Ao alcançar o fim da escala 6×1 e trabalhar pela igualdade salarial, as mulheres vão tendo muito mais chance de acessar o trabalho e de conquistar espaços e condições de trabalho melhores”, afirma.

Desigualdade salarial persistente

Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, revelam que as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado. Para cada R$ 1.000 recebidos por um homem, uma mulher ganha apenas R$ 787.

A Lei nº 14.611, sancionada em julho de 2023, reforça a igualdade salarial entre homens e mulheres para funções equivalentes, exigindo que empresas com 100 ou mais empregados adotem medidas para garantir essa igualdade.

Benefícios para as empresas e a economia

De acordo com a ministra, o fim da escala 6×1 pode trazer benefícios não apenas para as mulheres, mas também para as empresas e a economia como um todo. A redução do absenteísmo, por exemplo, pode resultar em um ambiente de trabalho mais produtivo.

“Traz muito mais dignidade, traz tempo livre que será utilizado para, inclusive, ir ao cinema, visitar museu, poder se alimentar melhor, organizar a sua comunidade, o seu território, de poder empreender”, lista.

Estudos e opiniões divergentes

Diversos estudos tentam avaliar os impactos da redução da jornada de trabalho. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a medida poderia resultar em uma perda de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e um aumento médio de 6,2% nos preços. Por outro lado, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sugere que o mercado de trabalho pode absorver a redução sem grandes dificuldades.

Mobilização e pressão popular

A ministra Márcia Lopes também mencionou que grupos de mulheres estão se mobilizando para pressionar a aprovação do fim da escala 6×1 junto aos presidentes da Câmara e do Senado. Ela acredita que a luta pela mudança é um reflexo da força e organização das mulheres.

“As mulheres são fortes, são mobilizadas e já estão fazendo isso”, disse.

As declarações da ministra foram feitas após um evento em que o BNDES anunciou R$ 80 milhões para iniciativas que beneficiam mulheres empreendedoras e o “trabalho do cuidado” nas periferias, como cozinhas comunitárias e lavanderias públicas.

Para a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o fim da escala 6×1 está diretamente ligado à melhoria das condições de vida das mulheres.

“A luta para que a gente mude essa situação da escala 6×1 é exatamente ter direito a se cuidar, ter direito ao fim de semana, ao autocuidado”, concluiu.

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