O debate sobre o fim da escala 6×1 —seis dias de trabalho e um de descanso— na economia brasileira tem gerado opiniões divergentes entre especialistas. A recente aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) pela Câmara, que propõe a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, agora aguarda análise no Senado. Essa mudança levanta questões sobre seus possíveis impactos no mercado de trabalho e na economia do país.
Estudos realizados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) indicam que a redução da carga horária, sem um correspondente aumento na produtividade, pode resultar em uma diminuição do PIB (Produto Interno Bruto). Historicamente, a produtividade no Brasil tem se mantido estagnada, o que gera preocupações sobre a capacidade de compensar a redução da jornada de trabalho.
Por outro lado, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sugere que a elevação do custo da mão de obra em 7,84% poderia ser absorvida pela economia sem um impacto significativo no PIB. Esse percentual é comparável ao custo da política de valorização do salário mínimo, o que abre espaço para discussões sobre a viabilidade da proposta.
A análise do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) traz uma perspectiva diferente, argumentando que a redução da jornada não necessariamente levaria a perdas econômicas. A pesquisa sugere que parte da mudança poderia ser compensada por um aumento na produtividade, além de destacar os benefícios de mais tempo para capacitação dos trabalhadores e a reorganização do trabalho não remunerado.
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, ressalta a importância de uma análise setorial. Ele menciona que a experiência do Chile, que implementou uma redução de jornada em 2024, resultou em aumento da informalidade, desemprego e inflação, além de uma queda no PIB entre 1% e 3%. Essa comparação levanta questões sobre a aplicabilidade de modelos de outros países na realidade brasileira.
Outro ponto de debate é o risco inflacionário. Economistas alertam que a redução da oferta de horas trabalhadas, em um mercado já com desemprego historicamente baixo, pode agravar o desequilíbrio entre demanda e oferta, pressionando salários e preços. Essa dinâmica pode gerar um ciclo inflacionário que afetaria a economia de forma mais ampla.
Diante desse cenário, o debate sobre o fim da escala 6×1 se intensifica, envolvendo diferentes perspectivas sobre a relação entre jornada de trabalho, produtividade e saúde econômica. A continuidade dessa discussão será essencial para entender os reais impactos da proposta, não apenas sobre o mercado de trabalho, mas também sobre a economia como um todo. Com a análise do Senado à frente, as próximas semanas serão cruciais para a definição do futuro da jornada de trabalho no Brasil.




