Na madrugada desta terça-feira (7), dois navios foram atacados no estreito de Hormuz, intensificando as tensões na região. O Irã declarou que não participará de novas negociações de paz enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuar a fazer ameaças de guerra. O ataque ocorreu em um momento delicado, com o país em luto pela morte do ex-líder supremo Ali Khamenei, que faleceu no início do conflito no Oriente Médio. Cerimônias fúnebres em Teerã atraíram milhares de pessoas, refletindo a gravidade da situação.
Um dos navios atacados foi o Al Rekayyat, um petroleiro de gás natural liquefeito do Catar, que pegou fogo após ser atingido. A embarcação emitiu sinais de socorro e sua tripulação foi evacuada com segurança, mas o incêndio dificultou a avaliação dos danos. O governo do Catar classificou o ataque como “inaceitável” e responsabilizou o Irã, embora Teerã ainda não tenha se pronunciado sobre o incidente. Uma fonte americana, que preferiu não ser identificada, indicou que as evidências iniciais sugerem que o regime iraniano foi o responsável pelos disparos.
Outro navio, o Wedyan, de bandeira saudita, também foi atingido, embora a causa do ataque ainda não tenha sido confirmada. Em um apelo de emergência, o capitão do Al Rekayyat relatou que a embarcação estava sendo atacada por um drone e solicitou assistência de outros navios na área.
Esses incidentes marcam os primeiros ataques no estreito desde que o Irã iniciou um luto nacional, ressaltando a instabilidade da segurança na navegação do Golfo, apesar de um acordo provisório entre Washington e Teerã estabelecido no mês passado. Armadores enfrentam um dilema: navegar em águas controladas pelo Irã, consideradas mais seguras, implica reconhecer a autoridade iraniana sobre a região, enquanto as rotas patrulhadas pelos EUA e Omã continuam a apresentar riscos.
A liderança religiosa do Irã intensificou seu controle sobre a principal rota marítima de transporte de energia do mundo, planejando implementar um sistema de cobrança de taxas, o que poderia alterar significativamente o equilíbrio de poder na região. Durante a semana de luto, a população demonstrou apoio ao governo, prometendo vingar a morte de Khamenei, com alguns manifestantes exibindo cartazes com mensagens contra Trump.
Atualmente, a guerra está suspensa devido a um acordo de paz provisório que prevê um período de 60 dias para negociações de um pacto definitivo. Recentemente, uma rodada de negociações indiretas no Catar não resultou em avanços. Trump, por sua vez, reiterou suas ameaças de retomar os bombardeios, afirmando que as negociações só avançarão se o Irã respeitar os termos do acordo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deixou claro que as conversas para um acordo definitivo não terão início enquanto as ameaças persistirem. Enquanto isso, o ministro de Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, confirmou que a próxima rodada de negociações com o Líbano ocorrerá em Roma, com o objetivo de avançar em um acordo mediado pelos EUA, reafirmando que Israel não tem ambições territoriais sobre o Líbano.




