A tenista Bia Haddad, atualmente na 154ª posição do ranking mundial, confirmou que passará por uma cirurgia no ombro esquerdo no início de outubro e deve retornar ao circuito profissional apenas em fevereiro de 2027. A decisão foi anunciada durante uma coletiva de imprensa em São Paulo, onde a atleta falou sobre suas dificuldades físicas e emocionais nos últimos meses.
Bia, que é canhota, revelou que tem lidado com dores intensas durante suas partidas, a ponto de sentir desconforto ao realizar movimentos como o ‘smash’. “Muitas vezes eu joguei com dores no ombro, que quando ia volear eu sentia uma dor no ombro na hora do ‘smash’. Muitos jogos eu vi estrelas”, comentou. A cirurgia exigirá um período de recuperação de pelo menos quatro meses, o que a afastará das quadras por um tempo considerável.
Durante o afastamento, a tenista planeja retomar seus estudos e cursar um MBA em Harvard, um passo que ela considera essencial para sua formação pessoal e profissional. “Não coloquei prazo para meu retorno, é tempo de olhar para dentro e resignificar o tênis na minha vida. Meu sonho ainda é um Grand Slam e fazer diferença na vida das pessoas”, afirmou Bia, que também se prepara para um novo capítulo em sua vida pessoal, com o casamento marcado para o meio do próximo ano.
A atleta, que já conquistou quatro títulos de simples e oito de duplas, expressou que os últimos meses foram desafiadores, especialmente após uma sequência de oito derrotas consecutivas, culminando em sua eliminação na estreia em Wimbledon. Ela trocou de técnico e tentou reverter a situação, mas decidiu que era hora de fazer uma pausa para cuidar da saúde.
Bia também falou sobre a pressão que enfrenta no circuito profissional e como isso afeta sua saúde mental. “As pessoas não têm ideia das coisas que já aguentei”, disse, referindo-se às lesões, à suspensão por doping e à pressão das redes sociais. “Não acho saudável ver os comentários, podem estragar a vida de um atleta, tem muita coisa negativa”.
Com uma carreira marcada por altos e baixos, Bia Haddad é considerada a melhor tenista do Brasil desde Gustavo Kuerten, tricampeão de Roland Garros. Ela acumula uma premiação bruta de mais de US$ 9,55 milhões e já alcançou semifinais em Grand Slams, como em Roland Garros em 2023. Agora, com o foco na recuperação e na formação acadêmica, a atleta espera retornar às quadras com mais força e determinação.



