As empresas americanas que atuam no desenvolvimento de inteligência artificial (IA) estão expressando preocupações crescentes sobre práticas desleais de concorrência por parte de suas rivais chinesas. Recentemente, a Anthropic, uma das principais startups de IA dos Estados Unidos, enviou uma carta a senadores americanos, incluindo Tim Scott e Elizabeth Warren, acusando a gigante Alibaba de copiar suas tecnologias de forma ilícita, utilizando uma técnica conhecida como destilação.
De acordo com a Anthropic, a Alibaba teria acessado suas tecnologias através de cerca de 24 mil contas não autorizadas, coletando dados que foram utilizados para treinar seus próprios sistemas de IA. Essa técnica, que envolve a extração de informações de sistemas mais poderosos para criar modelos mais eficientes, é uma prática comum na indústria de tecnologia, mas a Anthropic argumenta que seu uso pela Alibaba é uma violação de propriedade intelectual.
Os especialistas indicam que a China está apenas seis meses atrás dos Estados Unidos no desenvolvimento de IA. A Anthropic e outras empresas americanas acreditam que, sem a prática de destilação, a China estaria em uma posição muito mais atrasada, o que poderia impactar áreas cruciais como planejamento empresarial, pesquisa de medicamentos e até mesmo armamentos militares.
A preocupação das empresas americanas se intensificou após o lançamento do modelo de IA GLM-5.2 pela startup chinesa Z.ai, considerado quase tão poderoso quanto os principais sistemas desenvolvidos nos Estados Unidos. Este modelo se destaca especialmente em cibersegurança, um campo que é visto como vital para a geopolítica.
A destilação, que foi desenvolvida por uma equipe de pesquisadores do Google no início dos anos 2010, permite que um modelo de IA “ensine” outro modelo a operar de forma semelhante, mas com requisitos de hardware mais baixos. Geoffrey Hinton, um dos pioneiros da técnica, descreve o processo como uma relação entre professor e aluno. No entanto, a prática tem gerado controvérsias quando utilizada para replicar tecnologias proprietárias, que não são de código aberto.
Embora a destilação seja uma prática comum, a Anthropic e a OpenAI, outra empresa de destaque no setor, têm se oposto à sua utilização para imitar seus sistemas mais avançados. Ambas as empresas proíbem explicitamente a destilação de seus sistemas principais em seus termos de serviço. Em um depoimento recente, Elon Musk, CEO da xAI, reconheceu que a prática é comum na indústria, mas a legalidade e a ética de tais ações permanecem em debate.
A situação se complica ainda mais com a acusação da Anthropic de que várias startups chinesas, incluindo a DeepSeek, coletaram grandes quantidades de dados de seus sistemas. A empresa alega que essas startups utilizaram uma rede de contas para acessar seus modelos, o que levanta questões sobre a proteção de segredos comerciais e direitos autorais no contexto da destilação.
As tensões entre as empresas americanas e chinesas refletem não apenas uma competição tecnológica, mas também uma batalha mais ampla por liderança em um campo que pode definir o futuro da economia global e da segurança nacional. À medida que a corrida pela inteligência artificial avança, as implicações dessas práticas desleais podem ter consequências significativas para a inovação e a competitividade no setor.



