Post: TCE suspende licitação da Via Mar após identificar falhas no edital

TCE suspende licitação da Via Mar em SC após identificar falhas no edital, impedindo avanço do certame até nova decisão.
TCE suspende licitação da Via Mar após identificar falhas no edital

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE-SC) suspendeu a fase de disputa da licitação de R$ 2,18 bilhões para a construção do lote 4 da Via Mar, rodovia projetada como alternativa à BR-101 no litoral norte catarinense. A medida cautelar, assinada pelo conselheiro Wilson Rogério Wan-Dall na última sexta-feira (18), permite o recebimento das propostas nesta segunda-feira (21), mas impede o avanço do certame para as fases de disputa, habilitação e julgamento até nova decisão do tribunal.

O edital prevê a implantação de 24,6 quilômetros entre os entroncamentos das SCs 414, em Navegantes, e 486, em Itajaí, com parte do traçado em Ilhota. Pelo modelo de contratação integrada, a empresa vencedora ficaria responsável pelos projetos básico e executivo e pela execução da obra.

A decisão do TCE foi motivada por questionamentos persistentes da área técnica do tribunal, que se mantiveram mesmo após justificativas apresentadas pela Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE) e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Uma auditoria identificou uma possível redução de R$ 208,8 milhões no orçamento, mas destacou que esse valor não caracteriza, por si só, um sobrepreço definitivo, sendo apenas uma estimativa decorrente da revisão de premissas técnicas e econômicas adotadas no edital.

Entre os problemas apontados, destaca-se a defasagem do estudo de viabilidade, que foi concluído em 2022, mas se baseou em pesquisas de origem e destino realizadas entre 2016 e 2017, além de dados de tráfego atualizados até 2019. A análise técnica indicou que o documento não dimensiona adequadamente os efeitos de uma futura cobrança de pedágio, das intervenções na BR-101 e de mudanças na logística catarinense sobre a demanda da Via Mar.

O TCE-SC também levantou questionamentos sobre o anteprojeto de engenharia, especialmente no que se refere aos estudos geotécnicos para um traçado que atravessa áreas de solos moles, regiões alagadas e trechos de cortes profundos. A auditoria registrou que apenas três sondagens foram feitas em 2,49 quilômetros de segmentos com solos moles, onde as soluções previstas somam R$ 157,2 milhões; segundo as regras técnicas, seriam necessárias cerca de 25 investigações nesse trecho.

Além das dúvidas sobre os estudos e o orçamento, o tribunal apontou atrasos nas respostas a empresas interessadas. Alguns pedidos de esclarecimento e impugnações ficaram sem resposta por mais de 56 dias. Sondagens complementares foram disponibilizadas às vésperas da sessão, o que, segundo a área técnica, reduziu o tempo dos concorrentes para revisar custos e riscos.

A PGE defendeu que o empreendimento possui estudos de planejamento adequados e que as divergências apontadas representam alternativas de engenharia e oportunidades de aperfeiçoamento, não configurando irregularidades orçamentárias ou danos ao erário. O governo estadual também argumentou que eventuais ganhos de eficiência poderiam ser absorvidos pelos descontos oferecidos no processo competitivo.

Em nota, a SIE afirmou que está trabalhando em conjunto com o tribunal e confirmou que manterá o recebimento das propostas nesta segunda-feira. A secretaria classificou a Via Mar como a maior obra estadual da história de Santa Catarina, destacando que o projeto deve ser um marco para a mobilidade nas regiões norte do estado, no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis.

O secretário catarinense da Infraestrutura, Ricardo Grando, terá 30 dias para apresentar justificativas, adotar medidas corretivas ou, se necessário, anular a licitação. A medida cautelar ainda será submetida à ratificação da 1ª Câmara do TCE-SC.

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