Autoridades em Herat, no oeste do Afeganistão, prenderam pelo menos 30 mulheres sob a acusação de violar as normas de vestimenta impostas pelo Talibã. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela ONU Mulheres, que destacou o aumento do medo entre as mulheres afegãs após a repressão a protestos contra essas prisões, ocorridos no distrito de Injil no dia 9 de junho. Durante as manifestações, ao menos duas pessoas, incluindo um menino, foram mortas e mais de 20 ficaram feridas devido a disparos das forças de segurança, que tentaram dispersar os manifestantes que se opunham à detenção de mulheres por não usarem o chador ou a burca, vestimentas que cobrem todo o corpo.
A ONU Mulheres expressou preocupação com o impacto dessas detenções, afirmando que elas intensificam o medo e a apreensão entre mulheres e meninas em todo o país. Embora algumas das mulheres tenham sido liberadas, a situação revela um clima de repressão crescente. O Departamento para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, responsável pela aplicação das normas de vestimenta, deteve várias mulheres nos dias que antecederam os protestos.
Além disso, a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou a detenção de uma de suas funcionárias em Herat, que foi acusada de não respeitar o código de vestimenta. A mulher foi libertada em 8 de junho após assinar um compromisso de usar as vestimentas exigidas pelas autoridades, um indicativo de que a situação é parte de um padrão mais amplo de repressão.
As forças de segurança locais negaram os relatos sobre as detenções, mas a realidade no Afeganistão desde que o Talibã reassumiu o poder em 2021 é marcada por severas restrições aos direitos das mulheres. Essas restrições incluem limitações ao acesso à educação, emprego e atividades esportivas, gerando críticas internacionais e preocupações sobre os direitos humanos no país devastado pela guerra.




