Rodrigo Koxa e Michelle des Bouillons, surfistas brasileiros, brilharam na 26ª edição do Big Wave Challenge, considerado o “Oscar” das ondas gigantes, realizado no último sábado (19) em Newport Beach, Califórnia. Ambos venceram nas categorias masculina e feminina, respectivamente, com ondas surfadas na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025. As medidas preliminares das ondas foram de 29,15 metros para Koxa e 24,99 metros para Michelle, que, se confirmadas, superariam os recordes atuais do Guinness World Records.
Koxa, que já fez história em 2018 ao surfar uma onda de 24,38 metros, agora busca o reconhecimento oficial de suas novas conquistas. Ele expressou a necessidade de mais transparência nas medições, pedindo que a organização apresente imagens em alta resolução e explique os critérios utilizados. “O que precisa para a evolução do esporte é que compartilhem a medição”, afirmou.
Michelle, por sua vez, também está em contato com o Guinness para esclarecer o processo de validação de seu recorde e não descarta recorrer à via judicial, se necessário. Ela criticou a falta de informações durante a premiação, ressaltando que a ausência de dados sobre as alturas das ondas foi um ponto negativo. “Achei que houve uma falta de profissionalismo”, disse.
A medição de ondas gigantes é um tema controverso no surfe. Tradicionalmente, utiliza-se fotografias e vídeos, considerando a altura do atleta como referência. O regulamento da World Surf League (WSL) de 2024 exige que o surfista complete a descida sob controle, o que gera debates sobre as técnicas e critérios de medição.
Koxa, que voltou a vencer após oito anos, destacou que essa conquista representa uma escolha de vida. Ele compartilhou que, após sua primeira vitória, decidiu se dedicar integralmente ao surfe, mesmo enfrentando dificuldades financeiras e falta de patrocínio. “A conquista é muito legal, mas o processo é o mais valioso”, afirmou, refletindo sobre sua trajetória.
Michelle, campeã em 2024 e finalista em 2025, atribui seu sucesso ao trabalho em equipe, especialmente ao apoio do marido, Ian Cosenza, que a ajudou a entrar na onda premiada. Ela enfatizou a importância de uma boa estrutura de apoio, que inclui pilotos de resgate e observadores que monitoram as ondas. “Para pegar uma onda dessa, tem que ser trabalho em equipe. É impossível fazer isso sozinho”, declarou.
Apesar das pendências sobre os recordes, Michelle acredita que suas conquistas são significativas. “Um feito não diminui o outro. Conseguimos vencer a categoria de maior onda, é um reconhecimento”, finalizou. Com a celebração de suas vitórias, ambos os surfistas esperam que suas conquistas sejam devidamente reconhecidas e que a transparência nas medições se torne uma prioridade no esporte.



