A candidata ao Senado por São Paulo, Soninha Francine, do partido Cidadania, não poupou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao atual presidente Jair Bolsonaro durante sua participação no programa “Café com a Gazeta do Povo”, realizado na última sexta-feira (4). Em uma entrevista marcada por posicionamentos contundentes, Soninha também abordou questões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à polarização política no Brasil.
Soninha, que possui uma trajetória política significativa, incluindo passagens pela MTV Brasil e pela Câmara Municipal de São Paulo, afirmou que a atuação do STF “ultrapassou os limites de suas prerrogativas”. Ela defendeu a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte, argumentando que a sequência de episódios envolvendo os integrantes do tribunal exige uma reação do Congresso. “Já foi longe demais tudo o que acontece no Supremo. Há meses assistimos a atitudes que não são condizentes com ministros do STF”, declarou.
A candidata ressaltou a falta de transparência nas viagens internacionais dos ministros do STF, questionando a origem dos recursos utilizados para tais eventos. “Patrocinadores não são melhores do que cofres públicos, porque podem consolidar uma relação indevida entre o setor privado e o poder público”, afirmou. Além disso, Soninha mencionou a discussão sobre um código de ética para os ministros, enfatizando que a iniciativa surge em meio a questionamentos sobre a conduta de integrantes da Corte.
Ao abordar sua visão sobre o cenário político atual, Soninha criticou a radicalização das pautas e a incoerência de discursos entre partidos. “Bandeiras radicais não se sustentam. Não é possível governar com radicalismo”, disse, destacando a necessidade de diálogo entre diferentes setores políticos. Ela também comentou sobre a evolução dos partidos de esquerda, reconhecendo que houve mudanças tanto positivas quanto negativas.
Em relação ao funcionamento do Senado, Soninha defendeu mudanças nas regras de suplência, argumentando que o eleitor nem sempre tem acesso ao trabalho dos parlamentares. “Às vezes um senador faz um bom trabalho e não sabemos o que foi feito. Podemos nos surpreender com o que alguns promovem, mas não parece que eles foram protagonistas”, avaliou.
Soninha também abordou temas polêmicos como a cannabis e o aborto. Ela separou o uso medicinal da discussão sobre a legalização recreativa da maconha, defendendo a ampliação das pesquisas sobre seus benefícios. “Não pode haver controvérsia ideológica em torno da cannabis medicinal. Há estudos no mundo inteiro sobre isso”, afirmou. Quanto ao aborto, a candidata defendeu que o debate deve considerar mais possibilidades do que a simples escolha entre legalização e proibição, reconhecendo a complexidade da situação.
Por fim, Soninha criticou a polarização na política brasileira, destacando que tanto Lula quanto Bolsonaro utilizam estratégias semelhantes para incitar o ódio entre seus apoiadores. “Os chamados extremos são muito parecidos, são extremamente confrontantes, mas com formas de conduzir muito parecidas”, concluiu. A candidata se comprometeu a manter clareza sobre suas posições e a permitir que os eleitores acompanhem suas decisões ao longo do mandato, caso eleita.



