Post: Setor energético do Brasil deve aumentar emissões em 66% até 2036 com usinas térmicas

Setor energético do Brasil deve aumentar emissões em 66% até 2036, com dependência de usinas térmicas para garantir abastecimento.
Setor energético do Brasil deve aumentar emissões em 66% até 2036 com usinas térmicas

O setor energético do Brasil, reconhecido por sua matriz elétrica limpa, enfrenta um paradoxo: a previsão de aumento de 66% nas emissões de gases poluentes até 2036. Essa projeção, divulgada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), reflete a crescente dependência da energia térmica, especialmente a gerada por gás e carvão, para garantir o abastecimento em momentos de alta demanda. Apesar do crescimento das fontes renováveis, como a energia solar e eólica, a necessidade de garantir a entrega de eletricidade em horários críticos tem levado o país a recorrer a usinas térmicas.

A EPE, em seu novo Plano Decenal de Expansão de Energia 2036, estima que as emissões do setor elétrico passarão de 18,2 milhões de toneladas de CO2 equivalente em 2026 para 30,2 milhões em 2036. Essa mudança é impulsionada principalmente pela maior geração de energia a gás. “Embora possa parecer contraditório, esse resultado deve ser compreendido à luz da necessidade de conciliar a expansão das fontes renováveis com os requisitos de potência e segurança do suprimento”, afirmou a EPE.

O plano já considera os resultados de um leilão de reserva de capacidade realizado em março de 2026, que contratou usinas que não operam continuamente, mas devem estar disponíveis em momentos críticos. Entre os projetos estão 11.124 MW de novas térmicas a gás, com operação prevista a partir de 2028. Além disso, o planejamento inclui usinas já existentes que utilizam carvão, óleo diesel e óleo combustível.

A EPE descreve essas termelétricas como um “seguro” para o sistema elétrico, garantindo potência quando necessário. Em 2036, espera-se que o gás natural responda por 19,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente, representando 65% das emissões do sistema, enquanto o carvão contribuirá com 9,3 milhões de toneladas, cerca de 31% do total.

O documento também considera a prorrogação do contrato da usina térmica Candiota III, no Rio Grande do Sul, até 2040, e mantém a capacidade do Complexo Jorge Lacerda, em Santa Catarina. Apesar do aumento na geração de energia fóssil, a participação de fontes renováveis deverá atingir 94% da matriz em 2036. No entanto, com o crescimento da demanda por energia, as emissões absolutas devem aumentar.

A EPE argumenta que, em 2036, as emissões do setor elétrico representarão apenas 6% das emissões totais do setor de energia, que inclui combustíveis utilizados no transporte e na indústria. Alexandre Uhlig, diretor de sustentabilidade do Instituto Acende Brasil, destaca que as emissões elétricas atuais correspondem a menos de 1% do total do Brasil, ressaltando a importância de considerar a dimensão relativa das emissões ao avaliar o crescimento projetado.

A oferta de água para as hidrelétricas também será crucial para determinar a operação das térmicas e o volume de emissões. Períodos de seca podem aumentar a necessidade de geração térmica. Além disso, o plano prevê a continuidade dos cortes obrigatórios na produção de energia renovável, que ocorrem quando a geração excede o consumo, para evitar instabilidades no sistema.

Para enfrentar esses desafios, até 2036, o plano prevê a operação de 7,2 gigawatts em sistemas de baterias e 2 gigawatts em hidrelétricas reversíveis. As baterias armazenam eletricidade para uso posterior, enquanto as hidrelétricas reversíveis utilizam energia para bombear água para um reservatório mais alto, liberando-a posteriormente para gerar eletricidade.

O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que o estudo projeta a manutenção de fontes renováveis, que podem alcançar 94% da geração em 2036, mesmo com o crescimento do consumo elétrico impulsionado pela economia. A matriz elétrica brasileira, dominada por hidrelétricas, conta com 40,1% de capacidade instalada, seguida por solar (28,2%), térmicas a combustíveis fósseis e biomassa (18,2%) e eólica (12,7%). As usinas nucleares representam 0,7%.

Em 2025, o Brasil emitiu 2,06 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa, uma redução de 6% em relação ao ano anterior, devido à diminuição do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado.

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