O Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio do deputado Diego Guimarães (Republicanos), promoveram, na última quinta-feira (11), a 2ª Semana da Triagem Neonatal e o 3º Encontro Mato-Grossense de Triagem Neonatal. O evento, realizado no auditório Milton Figueiredo do Poder Legislativo, reuniu gestores e profissionais de saúde de diversas cidades do estado, com o objetivo de discutir a “Cobertura Populacional e Busca Ativa: Desafios Atuais da Triagem Neonatal em Mato Grosso”.
A mobilização está alinhada à Lei estadual nº 12.584/2024, que instituiu a semana de conscientização na primeira semana de junho, em consonância com o Dia Nacional do Teste do Pezinho e os 25 anos do Programa Nacional de Triagem, comemorados neste mês. O foco principal do encontro foi a ampliação do programa, que atualmente abrange apenas sete patologias: hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria, deficiência de biotinidase, fibrose cística, hiperplasia adrenal, anemia falciforme/hemoglobinopatias e toxoplasmose.
O deputado Diego Guimarães enfatizou a necessidade de fortalecer a rede de triagem neonatal em Mato Grosso, ressaltando que o teste do pezinho vai além da realização do exame. Ele destacou a importância de investir na conscientização das famílias desde o pré-natal, capacitar os profissionais responsáveis pela coleta e garantir o acondicionamento e transporte adequados das amostras. Guimarães também defendeu uma maior colaboração entre a Secretaria de Estado de Saúde e o Centro de Triagem Neonatal do Hospital Universitário Júlio Müller.
Atualmente, o estado realiza a triagem para sete doenças, mas a cobertura poderia ser expandida para cerca de 50 enfermidades, permitindo diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes, o que reduziria sequelas permanentes. O deputado elogiou o trabalho da equipe do hospital, classificando a atuação do centro como “heroica” diante das limitações estruturais, e enfatizou que a integração entre municípios, estado, União, profissionais de saúde, famílias e a comunidade é essencial para proteger as crianças mato-grossenses.
Durante sua apresentação, Guimarães destacou o papel do Hospital Júlio Müller na análise dos exames de triagem neonatal da rede pública estadual, que processa cerca de 350 mil exames anualmente em uma área de aproximadamente 250 metros quadrados, atendendo todo o território mato-grossense. O médico geneticista Bruno Bordest, do Hospital Júlio Müller, reiterou que o Programa Estadual de Triagem Neonatal atualmente rastreia sete doenças e que a coleta de sangue deve ser realizada entre o 3º e o 5º dia de vida do recém-nascido. O custo do pacote de exames é em torno de 320 reais, e a unidade realiza exames de recém-nascidos de todo o estado, incluindo até a região sul do Tocantins.
Bordest ressaltou que o diagnóstico precoce possibilita o início de tratamentos específicos, como dietas especiais, suplementação e acompanhamento contínuo, evitando sequelas neurológicas e complicações graves. Ele enfatizou que o principal objetivo do teste do pezinho é identificar precocemente doenças que, quando tratadas nos primeiros dias de vida, têm alta probabilidade de controle e prevenção de danos permanentes.
O especialista também defendeu a ampliação da triagem neonatal em Mato Grosso, conforme previsto em lei federal, para incluir outras doenças com tratamento disponível, como a Atrofia Muscular Espinhal (AME), que pode causar severas limitações físicas. Bordest alertou que a incidência da AME é de aproximadamente um caso a cada 10 mil nascimentos, o que significa que, considerando os 50 a 60 mil nascimentos anuais em Mato Grosso, cerca de cinco crianças podem nascer com a doença sem diagnóstico precoce. O tratamento para a AME está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e apresenta resultados significativos quando iniciado nos primeiros meses de vida.
O superintendente do Hospital Universitário Júlio Müller, professor Reinaldo Gaspar da Mota, destacou que “uma simples gota de sangue” coletada nos primeiros dias de vida pode evitar o sofrimento de crianças e famílias, permitindo acompanhamento e tratamento adequados. Ele enfatizou que o hospital é referência estadual no atendimento a esses pacientes, mas alertou para a necessidade de ampliar o número de doenças rastreadas e garantir investimentos e financiamento dos serviços especializados.
Representando o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, Melissa Cristina Silva, Coordenadora Estadual da Triagem Neonatal – SES-MT, ressaltou a importância da participação dos gestores municipais para fortalecer a triagem neonatal em Mato Grosso. Desde 2019, o programa é monitorado pelo Estado e tem apresentado melhorias contínuas, mesmo durante a pandemia, quando não houve queda nos resultados, ao contrário do que ocorreu em outras áreas da saúde. “A proximidade entre Estado e municípios é fundamental para ampliar a cobertura da triagem neonatal e garantir diagnósticos precoces, contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde infantil em todo o estado”, afirmou Melissa Silva.
O 3º Encontro Mato-Grossense de Triagem Neonatal contou com a participação de representantes de dezenas de municípios, incluindo Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Sorriso, Diamantino, Jaciara, Juscimeira, Vila Rica, Guarantã do Norte, Porto Alegre do Norte, São José do Rio Claro, Sapezal e Rosário Oeste, além de cidades de diferentes regiões do estado.



