A Rússia fez uma ameaça nuclear explícita contra países europeus da Otan, alertando que qualquer ação militar contra seu território em Kaliningrado resultará em uma resposta severa. O aviso, dado nesta quarta-feira (30), serve como um lembrete aos líderes europeus sobre a política de defesa russa. O exclave de Kaliningrado, que fica entre a Polônia e a Lituânia, é uma região estratégica que foi parte da Alemanha até 1945 e foi incorporada à União Soviética após a Segunda Guerra Mundial. Com a independência dos Estados Bálticos e de Belarus em 1991, a área ficou isolada da Rússia.
A tensão aumentou após o chanceler polonês, Radoslav Sikorski, sugerir que a Otan realizasse exercícios militares próximos a Kaliningrado para desviar a atenção das operações na Ucrânia. Em resposta, a embaixada russa em Londres emitiu um comunicado, que foi replicado pelas representações diplomáticas em Dublin e Bruxelas, alertando que qualquer tentativa de bloqueio ou ataque à região não ficaria sem resposta. “Qualquer ação militar do Reino Unido ou da Otan contra território russo encontrará uma resposta com todos os meios disponíveis à Rússia, incluindo armas nucleares”, afirmava o comunicado.
Além disso, um documento informal enviado pela Rússia à Otan reiterou a disposição de usar seu arsenal completo, incluindo armas nucleares, para defender Kaliningrado. A Otan, por sua vez, confirmou o recebimento do texto, mas afirmou que suas operações são defensivas e não ameaçam a Rússia. A porta-voz da aliança, Allison Hart, condenou a retórica nuclear da Rússia, caracterizando-a como irresponsável.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reforçou a posição russa, afirmando que é natural que os diplomatas tentem lembrar os líderes europeus sobre a política de defesa do país. Ele se referiu à doutrina revisada por Vladimir Putin em 2024, que ampliou as circunstâncias sob as quais a Rússia poderia empregar armas nucleares, especialmente em um contexto de conflito como o da Guerra da Ucrânia. Essa escalada nas ameaças nucleares destaca a fragilidade da segurança na Europa e a necessidade de um diálogo mais construtivo entre as potências envolvidas, a fim de evitar um confronto direto que poderia ter consequências devastadoras para a região e o mundo.



